- Líder da Renamo gazeta mais uma vez e aumentam rumores sobre sua saúde
- Chapo promete ser implacável no combate contra a corrupção
- Com Ossufo Momade desaparecido, Renamo promete melhorias na educação e na saúde
- Lutero Simango quer fazer mudanças e criar condições para todos moçambicanos
- Venâncio Mondlane pretende acabar com raptos em um ano e gerar oportunidade para jovens
- Mesmo sem fundos, Nova Democracia luta de igual para igual com os três grandes
Cumpre-se, hoje, o quarto dia desde o arranque da campanha eleitoral para as eleições gerais de 09 de Agosto no país. A meio gás e com pouca actividade dos partidos políticos, havendo distritos em que sequer ainda iniciou a jornada de caça ao voto, arrancou, no passado Sábado, a campanha eleitoral. Com excepção do candidato presidencial da Renamo, que continua sumido e não participou sequer da abertura da campanha, havendo rumores de que esteja a trabalho na Europa ou que está com uma saúde debilitada, os candidatos presidenciais da Frelimo, Daniel Chapo; do MDM, Lutero Simango, e do PODEMOS, Venâncio Mondlane, estão desde o último Sábado empenhados na jornada de caça ao voto em busca de convencer o eleitorado. Enquanto Chapo promete acabar com a corrupção e jura que “quero trabalhar para o povo, porque quando vejo o povo a sofrer meu coração dói”; Venâncio Mondlane promete colocar o ponto final na onda dos raptos que assolam o país, bem como um governo íntegro para acabar com a pobreza no país. Já Lutero Simango revelou que pretende operar mudanças e criar condições para todos moçambicanos. Fora os quatro partidos que suportam candidaturas presidenciais, a Nova Democracia foi o mais activo. Mesmo sem ter recebido ainda os fundos, o partido de Salomão Muchanga, que concorre somente para as legislativas e provinciais, não se fez de rogado e desafiou os grandes, esteve no terreno, desde onde deixou claro que pretende contribuir para a mudança de Moçambique a partir do parlamento.
Ainda a meio gás, sem grandes incidentes a relatar até o momento, a campanha eleitoral segue para o seu quarto dia. Dos 37 partidos, coligações e associações de cidadãos inscritos, até ao momento apenas a Frelimo, Renamo, MDM, Nova Democracia e PODEMOS é que têm estado em campanha, não se conhecendo o paradeiro de grande parte dos outros concorrentes.
Problemas logísticos derivados da alocação tardia dos fundos têm sido a principal justificação para os mais de 30 partidos políticos que ainda não abriram de forma efectiva a sua campanha. Sabe-se também que até ao momento nem todos receberam os fundos, alguns devido à morosidade da Comissão Nacional e outros devido a desorganização própria, pois há casos de partidos que sequer têm NUIT e conta bancária em dia.
Já no que diz respeito aos candidatos presidenciais, Daniel Chapo, da Frelimo, Venâncio Mondlane, suportado pelo PODEMOS, e Lutero Simango são os únicos que até ao momento saíram à rua para caçar votos. Ossufo Momade, candidato da Renamo, que já andava desaparecido durante a pré-campanha, voltou a ser o grande ausente destes primeiros três dias de campanha eleitoral. A informação sobre o seu paradeiro não está clara, mas tem se dito que está a cumprir uma série de viagens de trabalho no exterior (Europa, Estados Unidos e Emirados Árabes) em busca de alianças para as eleições.
Curiosamente, nesta missão não se fez acompanhar por jornalistas, por isso há pouca informação sobre os referidos encontros. Ademais, sequer se dignou a gravar mensagem de vídeo para moralizar os membros do partido ou mesmo fazer uma teleconferência, que é um recurso que Afonso Dhlakama usou bastante durante o período que esteve nas matas.
Isso acontece numa altura em que há rumores sobre a saúde do líder da Renamo, desde Dezembro de 2023, altura em que chegou a estar internado, segundo informações que foram mantidas sigilosas pelo partido. Há, entre os membros, temores de que Ossufo Momade tenha tido uma recaída.
“Sei o que é sofrimento, já sofri e passei pelo o que a população passa” – Daniel Chapo
A província de Sofala foi o ponto escolhido pela Frelimo e seu candidato, Daniel Chapo, para dar arranque da sua campanha. Naquele ponto do país, onde caiu o seu cordão umbilical, o candidato da Frelimo emocionou os potenciais eleitores com o relato da sua história de superação e prometeu trabalhar para o povo moçambicano.
“Eu sou moçambicano. Nasci aqui em Sofala, cresci, trabalhei e continuo a trabalhar para o povo e sou do povo (…) Sei o que é sofrimento, já sofri e passei pelo o que a população passa”, reforçou, lembrando o período em que fugiu a pé do cativeiro, após ser capturado por guerrilheiros da Renamo, atravessando de Inhaminga até Dondo, dormindo na floresta sob chuva e frio.
Chapo referiu que a sua candidatura é um compromisso de serviço ao povo, tendo jurado de pés juntos que será um servo abnegado e focado na resolução dos principais problemas dos moçambicanos. Prometeu que, em caso de chegar à ponta vermelha, mecanizará a produção agrícola e atrairá investimentos para o desenvolvimento da indústria transformadora do agronegócio, criando assim novos postos de trabalho.
No segundo dia da campanha eleitoral, o candidato da Frelimo garantiu que está já a trabalhar com investidores que estão interessados em reactivar a Companhia de Búzi, uma fábrica de produção de açúcar há vários anos paralisada.
Esta segunda-feira trabalhou em Marínguè, onde disse ser o candidato mais adequado para trazer mudanças significativas e completamente benéficas aos moçambicanos.
“Nós sabemos que Marínguè é muito fértil e produz quase tudo. Primeiro, vamos abrir grandes farmas para empregar os jovens, mas, na medida que aumentamos a produção, vamos precisar de processar, vamos ter pequenas, médias e grandes indústrias. Os jovens vão trabalhar nas farmas para produzir, mas também vamos processar aqui mesmo, para não acontecer o que aconteceu agora”, disse.
Aos jovens, e não só, prometeu resolver o problema da falta de habitação, através da construção de casas sociais que os jovens deverão pagar aos poucos e ao “custo justo”. Igualmente, prometeu levar avante o seu projecto de Banco de Desenvolvimento, para financiar projectos dos jovens a partir dos distritos.
Renamo ataca má governação da Frelimo
Sem o seu líder, coube à secretária-geral do partido, Clementina Bamba, dar o pontapé de saída da campanha eleitoral da Renamo, que teve lugar em Quelimane. A dirigente da perdiz acusou a Frelimo de má governação, dando como exemplo o recrudescimento de casos de raptos e sequestros nas grandes cidades, terrorismo em Cabo Delegado, pobreza desumana, desemprego, falta de habitação para jovens, custo de vida e do endividamento insustentável.
“Há 50 anos que os moçambicanos clamam pelas estradas, transportes condignos, água potável, sistemas nacionais de saúde e educação de qualidades”, disse Bomba, acusando a Frelimo e seus governantes de estarem a negar aos moçambicanos um país seguro e de igualdade social.
Na ocasião, instou aos eleitores a votarem no número 4 no boletim de voto e no partido na posição três, por entender que são a única esperança dos moçambicanos.
Apesar de a Renamo até aqui não ter partilhado o seu manifesto eleitoral, Bomba diz que este expressa uma visão que irá imprimir uma gama de alterações profundas na governação para rentabilizar os recursos para suportar as áreas-chave, nomeadamente saúde, educação, defesa e segurança.
“Apostaremos para que haja um cumprimento do princípio de separação de poderes entre o judiciário, legislativo e o executivo, com vista a conferir independência dos respectivos titulares dos órgãos em alusão”, disse.
Já na província de Maputo, a Renamo esteve mais activa, com o cabeça-de-lista neste ponto do país e deputado da AR, António Muchanga, como principal protagonista. Ao seu estilo característico, foi crítico com o estilo de vida dos matolenses, por isso mostrou-se preocupado e prometeu criar melhores condições condignas nos sectores de educação, saúde e diversos, com vista a desenvolver Moçambique.
“Nós estamos apostando em mudar Moçambique, temos a certeza que se os moçambicanos votarem, na sua maioria, no presidente Ossufo Momade, no partido RENAMO e nos seus candidatos para governadores de província tudo vai mudar. Vamos mudar o tipo de vida que as crianças levam nas escolas, vamos mudar o currículo educacional, vamos mudar a situação logística das próprias escolas e o tratamento que os professores estão a receber. Vamos também mudar o tratamento hospitalar, queremos apostar em hospitais com medicamentos, com pessoal moralizado, com condições logísticas, para a segurança do pessoal de saúde e para os próprios doentes”, disse Muchanga.
É também objectivo da RENAMO criar condições de desactivar a inércia dos jovens e criar condições de participar no desenvolvimento e mudanças no país através da educação e, igualmente, incluir as diferentes camadas académicas para a empregabilidade.
“Queremos mudar e trazer transformação na juventude. A juventude tem de sentir o pulsar da sua energia positiva, trabalhando para construir sua própria casa, dar emprego a juventude. Temos muitos jovens que fizeram o nível médio, universidades, até o básico, nós queremos mudar o Moçambique para que a partir da altura em que a pessoa tem seu primeiro diploma possa ter um emprego de qualidade”, disse Muchanga.
MDM promete melhorar a vida dos moçambicanos
No arranque da caça ao voto, o presidente do Movimento Democrático de Moçambique (MDM), Lutero Simango, que também escolheu a cidade da Beira como seu ponto de partida, prometeu criar melhores condições de vida.
“Vamos pagar bons salários aos nossos professores, na governação do MDM, nós vamos contratar 100 médicos para hospitais públicos e vamos construir a indústria farmacêutica nacional e vamos ter fábricas aqui em Moçambique. Com a governação do MDM é para fazer mudanças, corrigir as coisas e criar condições de bem-estar com o nosso povo”, disse Lutero Simango.
O presidente do MDM prometeu ao povo Moçambicano criar condições condignas, dando maior ênfase para as indústrias produtoras e transformadoras, para além de atrair investidores.
“Nós vamos criar condições, soluções para o povo moçambicano. E para todos aqueles que querem investir em Moçambique, vamos pedir a eles para pagarem os impostos ao Estado moçambicano. Queremos ter aqui em Sofala e aqui em Moçambique uma indústria para processar as pedras preciosas”, disse Simango.
A Educação mereceu também atenção de Simango, que prometeu recorrer aos recursos naturais disponíveis para gerar dinheiro para construir mais escolas e comprar carteiras.
“Nenhum aluno poderá estudar sentado no chão, no meu Governo. O Município da Beira, que está na nossa governação, está a construir escolas para eliminar a falta de salas de aulas. Nós vamos contratar 100 professores por ano, contra os 25 do actual Governo”, garantiu.
VM promete colocar um ponto final na onda de raptos em um ano
Em estreia absoluta na corrida à Presidência, Venâncio Mondlane ganhou uma lufada de ar fresco, na última semana, quando viu deferido o seu ofício pelo Conselho Constitucional, permitindo a alteração do símbolo da sua candidatura, o que permite que conte com suporte do PODEMOS para a campanha eleitoral, controlo de votos e quem sabe como bancada na Assembleia da República, se ganhar eleições.
Privilegiando vários tipos de abordagem, entre comícios e contacto interpessoal, Venâncio Mondlane escolheu a cidade da Matola, na província de Maputo, para lançar a sua campanha, antes de se deslocar a África do Sul, onde se encontra numa missão de caça ao voto na maior comunidade moçambicana na diáspora, mas também de estreitamento de relações com outras forças políticas.
“Nós queremos que a fama que o país tem de grande indústria e riqueza de minerais seja transformada para o ganho dos moçambicanos. Estamos cansados de ver nossos filhos e irmãos sem nada a fazer, mesmo com diplomas”, reclamou.
Venâncio Mondlane criticou o facto de existirem muitos desempregados na Matola, enquanto que aquela cidade é hospedeira do maior parque industrial do país.
“Muitos jovens aqui estão desempregados, nem têm orgulho de serem da Matola”, disse Mondlane, prometendo melhorar as condições de vida e criar oportunidade para emprego e formação da juventude moçambicana.
“Não faz sentido que aqui não exista uma Universidade Técnica para formar jovens e abrirem os seus próprios negócios, não há financiamento. Para este país sair da miséria é preciso um plano sério de investimento na juventude para abrirem os seus próprios projectos, e é isso que nós vamos fazer”, protestou.
A onda dos raptos já precipitou a saída de mais de 150 empresários do país, em caso de chegar à Ponta Vermelha, Venâncio Mondlane garante que vai acabar com os raptos no país em um ano.
“Ainda ontem conversei com um empresário que tem a esposa e filhos fora do país. E há tantos outros nessas condições. Podemos acabar com os raptos, é só chamar a INTERPOL para ajudar a combater os raptos, vamos chamar os países que já tiveram estes crimes e combateram”, explicou Mondlane.

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