Afonso Almeida Brandão
Quando Charlie Chaplin (1889-1877) apresentou ao mundo do Cinema o clássico filme “Tempos Modernos” talvez imaginasse que essa obra prima do cinema seria aplicada apenas à sua época. Além de ter provocado boas gargalhadas e alertar a Humanidade para os métodos de produção de Henry Ford e Taylorists, a película de Chaplin já indicava os efeitos maléficos que o excesso provocaria nos empregados das fábricas, pois os mesmos trabalhavam feito “máquinas” e com poucos minutos de descanso, cada um na sua linha de produção, até ficarem malucos, como é mostrado no filme.
Hoje, percebemos com clareza que “Tempos Modernos” pode ser perfeitamente aplicado na actualidade, isso porque podemos associar vários factores, mas, principalmente, podemos associar ao filme um dos grandes males do Séc. XXI: o stress. Através da Comédia de Charlie Chaplin, muito inteligentemente, era nos alertado sobre o stress dos tempos modernos ocasionados pelo excesso de trabalho. Nos dias de hoje, o excesso de trabalho está relacionado diretamente à necessidade de se poder ter uma melhor condição económica para satisfazer a nossa vontade de consumo, além de se tentar colocar em dia as dívidas e as obrigações contraídas ao longo do tempo. No entanto, é bom salientar que na maioria das vezes essas dívidas foram contraídas porque procuramos qualitativamente os nossos bens de consumo. Não será bem o caso de quem governa os destinos do nosso País, mas já lá vamos.
Ora, claro que é sempre bom ganharmos algum dinheiro extra — sobretudo entre nós, o que não acontece com a maior parte dos nossos trabalhadores moçambicanos — pois com esse dinheiro podemos investir no futuro, no lazer, adquirir móveis melhores para o nosso lar, enfim, podemos usar para muitas coisas esses ganhos extras. Contudo, é por demais inteligente as pessoas começarem a raciocinar se todo esse sacrifício vale a pena. Quando falo em sacrifício é porque o esforço acima dos limites do nosso corpo trará consequências muitas vezes irreversíveis para a nossa Saúde.
Trabalhar é muito salutar, eis um facto indiscutível. Amar também o é. Praticar Desporto também não deixa de ser bom (e recomendável) para a Saúde. No entanto, quando o Amigo Leitor exagera «nas doses, o remédio pode se tornar veneno». O ser humano tem limites para o seu corpo e quando esse limite é posto à prova pode provocar o stress que por sua vez vai provocar reações diversas no nosso organismo.
Já Jesus Cristo dizia há dois mil anos que devemos fazer jus «ao pão que comemos», ou seja, o Trabalho dignifica o Homem e dá-nos a remuneração a que temos direito — embora isso não aconteça muito “por cá, entre nós”, mas isso é outra conversa… Mas que também nos ensina que tudo o que fazemos devemos fazê-lo com a medida certa, sob pena de não aguentarmos “o fardo” que eventualmente venhamos a adquirir. Quando preenchemos demais a nossa “agenda da vida” — não me refiro àqueles que nada fazem, claro! — há que ter em atenção que tal facto pode contribuir para o stress, ou seja, ficarmos depois cansados e mal-humorados. Isso não só nos pode afectar, mas também “contagiar” quem esteja à nossa volta. E não existe “dose certa” de remédio para isso. Cada caso é um caso e ninguém melhor do que nós próprios para entendermos qual é o seu limite e o que realmente queremos da nossa Vida. Se o Prezado Leitor perguntar a dez pessoas diferentes o que elas querem da sua vida, vai reparar que uma boa parte delas vai responder simplesmente que QUER SER FELIZ E PODER SUSTENTAR A FAMÍLIA PARA QUE NADA FALTE. Mas o que é a Felicidade? Eis uma pergunta que tem várias respostas. Tudo depende da visão que cada um de nós tiver sobre a Felicidade. O importante é que saibamos reflectir sobre a nossa Vida, sobre os nossos Amigos, a nossa Família, o nosso Trabalho, as nossas responsabilidades, os nossos “luxos”, em suma, o importante é saber tomar as decisões acertadas de maneira racional e inteligente para continuarmos com a Jornada de todos os dias.
E chegados a este ponto teremos de reconhecer (e concordar) que os nossos Governantes e Políticos — salvo honrosas excepções —, só têm enganado tudo e todos, e roubado «a torto e a direito» o que é do Povo e do nosso País já de si debilitado e doente.
O caso da «Dívida Oculta» e de tantas outras “falcatruas” conhecidas — ou ainda por desvendar! — têm sido, nestes últimos anos, o «pão nosso de cada dia» e a verdade é que a nossa Justiça não consegue travar esta “corja de malfeitores” e de gatunos à solta, porque em vez de os julgar como seria sua obrigação — e mandar prender os responsáveis —, a verdade é que pouco ou quase nada têm feito, senão a de continuar a protelar e a ser conivente — para não dizer “encobrir e pactuar” com essa gente —, do qual o anterior e actual Presidente da República e seus “comparsas” mais directos se encontram envolvidos…
O Poder da Justiça (Tribunais e Juízes, incluído) até hoje não fizeram o suficiente para julgar e condenar definitivamente os responsáveis por estes crimes de lesa-Pátria e “essa gente continua “à solta” como se nada tivessem feito.
A verdade é que o cidadão moçambicano, no geral, está revoltado e o nosso país, em particular e a nível da Comunidade Internacional, continua exposto e «nas bocas do Mundo».
Até quando? Há alguma dúvida?!…

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