Ministro desmente quadro superior da defesa e nega existência de novo líder da Junta Militar

SOCIEDADE
  • Alguém está a mentir no Ministério da Defesa

Pouco mais de um mês depois do director de operações no Estado maior das Forças Armadas de Defesa de Moçambique (FADM), Chongo Vidigal, ter anunciado o reagrupamento da Junta  Militar da Renamo e a eleição de um novo líder, o ministro da Defesa, Cristóvão Chume, veio a terreiro semana finda, à margem da celebração do 47º aniversário da Marinha de Guerra de Moçambique, desmentir a informação avançada por aquela alta patente do exército moçambicano, uma contradição que denota alguma falta de coordenação.

Jossias Sixpence-Beira 

Seis meses após a morte de Mariano Nhongo, o país ainda é assombrado pelos fantasmas de um provável ressurgimento da Junta Militar da Renamo, sobretudo num contexto em que o processo de Desmobilização, Desarmamento e Reintegração (DDR) das forças residuais da perdiz está a conhecer alguns constrangimentos, com destaque para desinteligências na integração de ex-guerrilheiros nas Forças de Defesa e Segurança, bem como a morosidade no pagamento de pensões aos desmobilizados.

Na última semana de Fevereiro último, o que pareciam somente rumores ganhou consistência quando da boca do brigadeiro Chongo Vidigal, uma alta patente do exército que já foi porta-voz das FADM, dentre vários outros cargos, revelou que o Ministério da Defesa teve informação de que a Junta Militar da Renamo elegeu, nas matas da serra da Gorongosa, província de Sofala, um novo líder, em substituição de Mariano Nhongo.

A informação, nunca reivindicada pelo referido grupo e de pronto a Renamo, na pessoa do seu secretário-geral, André Majimbiri, disse, na altura, que era uma invenção da Frelimo, que curiosamente, antes mesmo de se confirmar, organizou manifestações de condenação da Junta Militar.

Mas um mês depois, o ministro da Defesa, Cristóvão Chume, revelando alguma falta de coordenação nas Forças Armadas, contrariou o seu subordinado durante a celebração do 47º  aniversário da Marinha de Guerra ao desmentir a informação.

“Não temos nenhuma informação credível que nos dá a indicação de que há um novo líder da Junta Militar”, afirmou Cristóvão Chume, para depois rematar que “tudo que se possa dizer sobre isso são especulações ou informações que visam perturbar a zona Centro do país”.

No entanto, Chuma não esclarece quem estaria interessado em perturbar a ordem no Centro do país, tomando em consideração que a informação sobre um provável reagrupamento da Junta Militar veio de uma alta patente do exército às suas ordens.

“Na zona Centro está tudo calmo, mas temos informações de que foram eleitos recentemente novos dirigentes da Junta Militar, nas matas de Gorongosa, facto que prova que este grupo ainda está activo, e é por isso que nós ainda não desactivamos os nossos efectivos estacionados naquela região, tendo feito apenas alguma alteração em relação à realidade actual. A eleição do novo líder da Junta Militar preocupa-nos, e redobramos a nossa vigilância, na base de acções operativas diárias, para podermos inverter qualquer acção de instabilidade”, foram estas as palavras de Vidigal.

Refira-se que a autoproclamada Junta Militar da Renamo foi responsável por mais de 30 mortes em ataques armados no Centro de Moçambique, entre Agosto de 2019 e Outubro de 2021, mês em que Mariano Nhongo foi abatido. A Junta Militar, que desapareceu desde então, contestava a liderança da Renamo e exigia a renegociação do acordo de paz assinado entre o principal partido da oposição e o Governo.

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