Afonso Almeida Brandão
Depois da Europa dos Mercados que a Comunidade Económica Europeia proporcionou, será possível avançar para uma união política que projecte e consolide os Estados Unidos da Europa?
Não nos devemos admirar, mas o projecto de uma Aliança Política entre todos os Países da Europa já foi imaginado nos finais do Séc. XVIII, mais propriamente no Ano de 1790 e, ao que parece, há muita gente que desconhece este facto ou tem andado distraído…
Nesse ano, George Washington, numa carta dirigida a Marie Joseph du Motier, Marquês de La Fayett —, um aristocrata e militar francês que lutou na Guerra da Independência dos Estados Unidos — imaginava os Estados Unidos da Europa, baseados, ou tendo por modelo, a Democracia Estadunidense — digamos assim.
De facto, George Washington idealizou dois Estados Unidos de ambos os lados do Atlântico. Noutro momento, durante uma conferência sobre a Paz, em 1849, o escritor Victor Hugo já defendia a criação dos Estados Unidos da Europa, democráticos e pacifistas. A Rússia ficaria de fora, dada a sua atribulada tendência para as desavenças conflituosas e interterritoriais como se viu ao longo da sua história até aos dias de hoje — com a actual a «vergonha das vergonhas», com os ataques sucessivos à Ucrânia, que só um “doido varrido” como Putin poderia permitir…
Esse pensamento dos Estados Unidos da Europa de George Washington e Victor Hugo tem permanecido como uma AURA, como um desiderato, como uma utopia difícil de atingir, mas não impossível de concretizar, em nossa opinião. Mal imaginava Victor Hugo, quando manifestou aquele desejo, que o Século seguinte seria o mais sangrento e mais fratricida da História do nosso Continente.
E este Séc. XXI também nada augura de bom com uma Federação Russa agressiva a tornar mais distante a utopia fraterna de uns Estados Unidos da Europa. Porém, bem pode acontecer que esta agressividade russa estimule e proporcione o desiderato que expressaram, há uns bons anos, George Washington e Victor Hugo. Seria o melhor que podia acontecer.
Actualmente, fazem parte da União Europeia 27 países e certamente esse número aumentará nos próximos anos. Por conseguinte, está assegurada uma estratégia de contínuo desenvolvimento económico e igualmente asseguradas trocas comerciais entre os Estados Membros da Comunidade Europeia e os restantes países à escala Mundial. Dessa união económica poderá resultar uma união estratégica configurando o sonho dos Estados Unidos da Europa. O devir histórico encarregar-se-á de nos dizer se algum dia «esse desiderato» será possível ou se tudo não passará de «um sonho».

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