Salomão Muchanga diz que há quem está a lucrar com a guerra em Cabo Delgado

DESTAQUE POLÍTICA
  • Líder da Nova Democracia defende uma investigação minuciosa
  • Nova Democracia reafirmou seu vigor no seu primeiro Congresso em Nampula
  • “Assiste-se em Moçambique a pior estagnação gerencial de que se tem história”
  • “Cercaram as nossas vontades e capturaram as nossas liberdades”, Muchanga

A chamada capital da zona Norte, ou seja, cidade de Nampula, foi, entre os dias 17 e 18 do corrente mês de Dezembro, palco do primeiro e histórico Congresso do Movimento Nova Democracia (ND). No seu discurso dirigido a uma enorme legião de congressistas oriundos de todos os cantos do país, o líder da ND, Salomão Muchanga, teceu duras críticas à actual governação do país, tendo igualmente exigido uma análise minuciosa dos interessados internos e externos para perceber quem está a lucrar com o negócio da guerra na zona norte do país, numa altura em que já há indícios de negociatas entre as elites nacionais e ruandesas, para além de desembolsos directos a favor do Ruanda em nome do combate ao terrorismo no nosso país. Por outro lado, para além de analisar a situação política, económica e social do país e tomada de posição, o partido que pretende ser uma alternativa para os moçambicanos nos próximos pleitos eleitorais elegeu Madà Madjila, socióloga de 30 anos de idade e natural de Nampula, como secretária-geral e os 13 membros da Comissão Política.

 Evidências

O Movimento Nova Democracia já começou a traçar as estratégias para os pleitos eleitorais que se avizinham. A realização do primeiro Congresso que juntou delegados de todas as províncias do país foi, diga-se, mais uma oportunidade para o líder da ND disparar críticas contra o Governo de Filipe Jacinto de Nyusi.

De acordo com Salomão Muchanga, o país atravessa uma das piores crises económicas quando se caminha para os 50 anos da proclamação da independência nacional.

Nestes quase 50 anos de Independência Nacional assiste-se, em Moçambique, a pior estagnação económica e gerencial de que se tem história, transformando o país numa das piores economias da região, saída de uma posição de destaque em 1975, para hoje sucateada estar entre os piores da região, de África e do mundo”, referiu, para depois falar das mulheres que têm sido alvo de violações sexuais em vários cantos do país.

“Na Beira mulheres são violadas sexualmente e brutalmente assassinadas. Lá os homens assassinados. São empresários de todo o país que tem que pagar taxas de sobrevivência para escapar sequestros. São vítimas de terrorismo a trocar donativos por sexo, atrocidades protagonizadas incluindo por quem tem o dever de proteger no modelo Matalana e Ndlavela. São legislações que atentam contra os medias e a liberdade associativa a emergirem. Crianças traficadas e exploradas. Agricultores que alimentam a economia, a perder suas terras porque o Governo colocou a nova política de terras ao serviço do capitalismo subalterno”, denunciou Muchanga, num discurso que foi depois replicado nas redes sociais e aclamado por gente de todos os extractos, incluindo membros seniores dos dois maiores partidos da oposição (Renamo e MDM).

Prosseguindo, Muchanga denuncia que os actuais governantes transformaram o património do Estado em propriedade privada, tendo igualmente criticado o actual estágio do sector da saúde no país.

“Ofereceram-nos e desenvolveram um país do crime organizado e do colarinho branco em que a intimidação, cooptação e a captura de personalidades vinca como critério de elegibilidade para qualquer coisa. Cercaram as nossas vontades e capturaram as nossas liberdades. Transformaram a maioria do património nacionalizado em propriedade privada, capturaram todos os negócios para as elites, do seu grupo e venderam e vendem o país aos pedaços aos seus confrades ocidentais e orientais. Marginalizaram o sistema de saúde construído com muito sacrifício de filhos desta pátria, desarrumando toda a logística para que morra mais gente”, destaca.

Muchanga denuncia privatização do exército e polícia pelo partido Frelimo

Para além de denunciar a violação dos direitos consagrados na Constituição da República, Muchanga destacou a destruição do tecido empresarial do Estado e a privatização do exército e da polícia pelo partido Frelimo.

“Destruíram a máquina administrativa do Estado instalando o nepotismo, a corrupção a todos níveis e o clientelismo. Reviraram as Forças Armadas e a Polícia da República para servir interesses de grupos e vão introduzindo mecanismos de desestabilização militar e política para justificar a sua permanência no poder, dominar as maiorias, não permitindo o exercício de direitos cívicos comuns aprovados e garantidos por Leis. Assiste-se ao abandono da gestão pública no geral, mataram todas as empresas públicas, tornando-as não rentáveis, com a retirada dos meios financeiros que produzem para fins próprios”, aclarou.

No que a situação de terrorismo na província de Cabo Delgado diz respeito, o líder da Nova Democracia exige uma análise minuciosa para se perceber que está a tirar devindos dos ataques que já fizeram mais dois mil mortos e mais de um milhão de deslocados.

“Moçambique está a atravessar um contexto de terrorismo cuja resposta requer uma análise cuidadosa e multidimensional das suas causas e agentes facilitadores. Exige uma análise minuciosa dos interessados internos e externos para perceber quem está a lucrar com o negócio da guerra ontem só em Cabo Delgado, hoje em Nampula e Niassa e, amanhã não sabemos em que outra parte do país. É preciso investigar porque os ente público assobiam para o lado desde 2012, altura em que lideranças comunitárias e religiosas de Cabo Delgado alertaram sobre movimentos desusados naqueles territórios e em algumas mesquitas”, disse, desconfiando que algumas elites podem

Nas entrelinhas, para mudar o actual quadro sócio-económico do país, Salomão Muchanga instou os militantes do seu partido para reconquistar a independência de Moçambique e desenvolver sectores sociais de assistencialismo através da prestação de serviços baseados nas reais necessidades colectivas dos cidadãos, mulheres e homens, crianças e jovens, adultos e idosos, com ou sem deficiência.

ND elege Madà Madjila (30 anos) como secretária-geral

O primeiro Congresso serviu, por outro lado, para a eleição dos órgãos sociais do partido. Madà Madjila, socióloga de 30 anos de idade e natural da província de Nampula, foi eleita secretária-geral do Movimento Nova Democracia.

Para além da nova secretária-geral, foram igualmente eleitos os 67 membros que passaram a compor o Comitê Executivo Nacional, sendo que para a Comissão Política foram indicados 13 membros.

Com as próximas eleições autárquicas no horizonte, o Movimento Nova Democracia validou, durante o primeiro Congresso, o perfil dos candidatos e presidentes dos conselhos autárquicos nas eleições de 2023.

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