7ª classe no curso nocturno é um grande retrocesso na educação de raparigas

DESTAQUE SOCIEDADE

Com a passagem da 7ª classe ao ensino secundário no Sistema Nacional de Educação (SNE), algumas escolas secundárias na Cidade de Maputo e não só, passaram a leccionar aulas da 7ª classe também no período nocturno. Segundo a especialista de género da Organização Não Governamental designada Right To Play, Amina Issa, este incremento simboliza um grande atropelo e retrocesso nos avanços que já haviam sido alcançados para garantir a retenção da rapariga nas escolas.

Amina Issa lança duras críticas ao projecto incrementado pelo Ministério da Educação e Desenvolvimento Humano (MINEDH) que visa passar a 7ª classe ao ensino secundário, pois segundo disse “muitas raparigas com idades de até 15 e 16 anos são obrigadas a entrar noite lutando contra todos os riscos que a noite trás consigo”.

Para Issa, refere que o governo não pensou na possibilidade desta nova lei poder abrir espaço para uma nova onda de desistências em massa de raparigas, e a situação tender-se-á a agravarem alguns bairros e zonas recônditas em que a criminalidade é acentuada.

E rebate, “já imaginaram uma menina dos seus 15 anos voltando da escola as 22horas sozinha? Ela é uma presa fácil para os malfeitores nas esquinas. Existem casos de meninas muito novas que por conta da distância da paragem até a sua casa vão preferir faltar às aulas em alguns dias por medo de serem violadas; e com certeza se forem violadas nessas circunstâncias os seus pais não vão a deixar ir a escola novamente. Gostaria muito de poder dizer que casos destes não vão acontecer, mas é nossa realidade”, afirmou a especialista.

Há alguns anos diversas organizações da sociedade civil lutaram para que o decreto 39/2003 fosse revogado e hoje, infelizmente têm de lutar novamente para introduzir uma nova estratégia com vista a minimizar as consequências que possam advir de ter raparigas estudando de noite.

Como tal, temos o caso do Fundo de Desenvolvimento da Comunidade (FDC) que está levando a cabo o projecto designado VIVA+, que visa alcançar 1,043,250 raparigas e rapazes dos 10 aos 19 anos dentro da escola, desenvolvendo serviços para a promoção do conhecimento abrangente sobre saúde sexual e reprodutiva dentro da escola, retenção da rapariga na escola, na prevenção do HIV, da violência baseada no género, uniões prematuras, tratamento e redução de risco.

Segundo informações mais organizações se juntando ao movimento com vista a combater desistências que possam advir da passagem da 7ª classe ao ensino secundário, neste caso ao curso nocturno.

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