- Promoção de Henriques Dhlakama resultou numa elevada dívida com consultora portuguesa
- Campanha de Henrique Dhlakama deixou Dívida de mais de 30 milhões de meticais
Parte dos bens da família do saudoso líder da Renamo, Afonso Dhlakama, poderão ser executados em tribunal nos próximos dias devido a uma dívida de USD 471.925.00, correspondentes a mais de 30 milhões de meticais, relacionada com serviços de consultoria de comunicação durante a campanha que visava lançar a candidatura independente do filho primogénito, o mítico líder da perdiz, Herinques Dhlakama. O Grupo português Intell Corp acusa a família, representada por Henriques Dhlakama e Cândido Dhlakama, de se furtar de honrar com o combinado e de nos últimos tempos sequer se dignar a contactar a firma, pelo que o caso segue agora para litígio.
Em Setembro de 2020, Henriques Dhlakama, filho mais velho de Afonso Dhlakama, até então desconhecido da grande maioria dos moçambicanos, apareceu do nada e dominou as manchetes dos jornais ao anunciar a sua candidatura para as eleições presidenciais de 2024, alegando ser uma decisão que surge pelo facto de ter notado divisões no seio da Renamo.
A partir daí começou a atacar de forma aberta a liderança de Ossufo Momade, o que levou a Renamo a distanciar-se das suas pretensões, o que o levou, mais tarde, a anunciar que concorre de forma independente, mas com forte apoio das bases dentro da Renamo.
Em pouco tempo tornou-se uma pessoa conhecida e até deu uma série de entrevistas a órgãos de comunicação. O que não se sabia é que por detrás da sua promoção pública estava um serviço profissional de comunicação a prestar-lhe consultoria e que, afinal, aquela empreitada envolvia a todos os membros da família Dhlakama.
Entretanto, por falta de pagamentos a verdade veio à tona. Afinal, a família Dhlakama está a dever valores absurdos em ordenados acumulados durante três anos sem pagar e o caso deverá seguir em breve para o tribunal, segundo revelou o Grupo Intell Corp em exclusivo ao Evidências.
Trata-se de uma dívida por ausência de pagamentos acordados pela família no valor de €430.000 (quatrocentos e trinta mil Euros), ou seja, USD 471.925, que em meticais daria pouco mais de 30.2 milhões, sem incluir os juros.
“A dívida da família Dhlakama e dos senhores Henriques Dhlakama e Cândido Dhlakama mantém-se. Não nos voltaram a contactar e o processo encontra-se com os nossos advogados a avançar pelo litigioso. Entretanto, somam juros diários e como temos uma perfeita noção dos bens da família, a cobrança não nos preocupa. Aguardamos, entretanto, o desenvolvimento de possível investigação em curso pelo Estado moçambicano, no tocante a bens ocultos, branqueamento de capitais e fraudes que tenham sido praticadas por ambos indivíduos, de forma a caso necessário podermos fornecer dados que sejam importantes para a investigação, separando os processos: do Estado moçambicanos (a haver) e o de cobrança dos valores em dívida ao Grupo IntellCorp”, revela a consultora.
O IntellCorp anunciou publicamente a sua desvinculação da Família Afonso Dhlakama em Agosto do presente ano e chegou a dar um ultimato para esta liquidar a dívida, o que nunca foi acatado pela contraparte, levando aos desenvolvimentos actuais em que o caso poderá ser dirimido nos tribunais.
“O Grupo IntellCorp iniciou o seu contrato com a Família Afonso Dhlakama em 09 de Setembro de 2019, tendo ficado acordado pagamentos sistematicamente falhados e prorrogados. Esse adiamento constante das obrigações acordadas pela Família Afonso Dhlakama culminou com sucessivos prazos falhados no último mês para regularização da situação ou uma proposta de solução que demonstrasse boa-fé. Com muita ausência de contacto foi dado um prazo final das 00:00h de 09 de agosto de 2023. Novamente, após promessas de venda de bens comprovadamente na posse da família, como garantia de pagamento, também essa solução foi âmbito de escusas, pensamos já de má-fé e com o único intuito de não pagar”, revelou aquela consultora em Agosto.

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