Mulémbwè força uma saída honrosa depois de “rejeição”

DESTAQUE POLÍTICA
  • Ex-presidente da Assembleia da República não conseguiu se eleger a deputado
  • Depois de 30 anos na AR, 15 dos quais como presidente, Mulémbwè queria mais
  • Não quis sair com os próprios pés, concorreu na base e não teve votos suficientes
  • Mulémbwè e outros estavam habituados a ser carregados ao colo pela Comissão Política
  • Ana Rita Sithole é deputada desde a juventude e também não soube sair com os próprios pés

A Assembleia da República tem deputados de várias gerações e proveniências. Entre os mais velhos, há aqueles que estão no parlamento há mais de 30 anos, que apesar da idade não aceitam “largar” as mordomias. Eduardo Mulémbwè, deputado da Assembleia da República (AR) e com um percurso notório, é um deles. Renunciou, recentemente, ao cargo de presidente da comissão Ad-Hoc para revisão do regimento daquele órgão legislativo, dias depois de não ter conseguido se eleger como candidato a deputado nas eleições internas no partido, onde não conseguiu votos suficientes para se eleger a deputado. A cumprir a sexta legislatura, Mulémbwè, que chega ao parlamento depois de ocupar cargo de procurador-geral da República, manteve-se nos últimos anos por indicação da Comissão Política, onde foi membro, ou seja, sem precisar concorrer. Coincidentemente, na primeira vez depois de décadas que desceu às bases para concorrer e entrar na AR por mérito, para aquele que seria seu sétimo mandato, viu-se “rejeitado” pelos seus pares. Mas ele não está sozinho, há mais nomes que precisaram ser rejeitados para assumirem que é hora de voltar para casa. Um deles é de Ana Rita Sithole, que está no parlamento desde quando ainda era só uma “mocinha”.

Em meio a transição política, o parlamento, onde é aplaudida a variedade dos parlamentares, desde jovens, mulheres, idosos, até a diversidade em termos políticos, é também um espaço de acomodação daqueles que acreditam que tem algo para dar ou querem manter as mordomias que o cargo oferece. Ou talvez manter o poder de influência para viabilizar suas vidas privadas.

O problema é quando não se reconhece o período certo de ir para o mesmo quando já se presume ter feito tudo que o cargo pode oferecer. Mulémbwè é uma dessas figuras que reconheceu o tempo certo de sair, precisou ser rejeitado para sair por uma porta pequena, apesar de forçar, tardiamente, uma saída honrosa.

Nascido em Niassa e magistrado do Ministério Público de carreira, o ex-presidente da Assembleia da República (1995-2009) chega ao parlamento depois de ocupar o cargo de Procurador-Geral da República (PGR), entre os finais dos anos 1980 e 1994.

Não é apenas no Estado que o percurso do parlamentar foi notório. No partido também ascendeu a altos cargos e chegou a ser chefe da brigada central do partido para as províncias de Tete e da cidade de Maputo, e é, desde o ano 2000, membro da Comissão Política, onde viria a falhar entrar em 2022. É este percurso que nunca lhe permitiu medir o nível da própria aceitação dentro dos seus pares, a única vez que concorreu foi qualquerizado entre os colegas.

Após 15 anos e três mandatos consecutivos como segundo mais alto magistrado da nação, Mulémbwè foi Presidente da AR e passou a ser deputado, que em Dezembro de 2010 foi designado presidente da Comissão Ad-Hoc de Revisão da Constituição da República.

Antes, porém, em Março de 2010, foi indicado pelo Governo para representar o Estado moçambicano no Conselho de Administração da Companhia Moçambicana de Hidrocarbonetos.

Há outros camaradas que não querem deixar o parlamento com os próprios pés

As eleições internas que decorreram em todas as províncias vieram beliscar sua popularidade dentro do partido. Ao ver-se numa posição não favorável, submeteu uma carta datada de 5 de Junho, à Presidente da Assembleia da República, abdicando da Comissão Ad-hoc para a Revisão do Regimento da Assembleia da República e da sua qualidade de membro da referida comissão.

“Comunico, com efeitos imediatos, a partir desta data, a minha renúncia à função de Presidente da Comissão Ad-hoc para a Revisão do Regimento da Assembleia da República, bem como a minha resignação/abdicação da qualidade de membro da mesma”, escreve Mulémbwè em carta enviada a presidente do órgão, Esperança Bias, com a data de 05 de Junho corrente.

Para além de Eduardo Mulémbwè há outros camaradas que muito provavelmente não deixarão o parlamento por iniciativa própria, até mesmo para poderem descansar por causa da idade. Tal como Eduardo Mulémbwè, Ana Rita Sithole acabou não conseguindo se eleger para o parlamento, saindo humilhada de uma casa que esteve ligada por mais de cinco mandatos.

Sorte diferente tiveram Eduardo Nihia, no parlamento desde os tempos do monopartidarismo; Verónica Macamo, antiga presidente do órgão e que corre o risco de um dia ir concorrer na base e ser rejeitada, tal como aconteceu com o seu antecessor.

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