Edmilson Mate
Anualmente, a 25 de junho, Moçambique celebra a sua independência nacional, conquistada em 1975. Este marco histórico, simboliza a libertação do colonialismo português e, o início de uma nova jornada rumo ao desenvolvimento quer social, econômico e politicamente. Volvidos 49 anos, é crucial refletirmos até que ponto somos (in)dependente, até porque, obviamente, este acontecimento, abriu espaço, de participação dos cidadãos nas actividades políticas e na tomada de decisões do país. Todavia, apesar deste “avanço”, ainda assiste-se inúmeros desafios que assolam a soberania moçambicana.
Um dos maiores obstáculos que o país enfrenta é a dependência alimentar em relação aos países vizinhos, apesar de possuir vastas extensões de terras férteis e condições climáticas minimamente favoráveis para uma agricultura mais produtiva. Contudo, a falta de investimento adequado em infraestruturas agrícolas, tecnologias modernas e políticas de apoio aos agricultores locais, tem resultado em uma produção insuficiente para atender às demandas internas e, consequentemente, o abastecer mercados com vista a satisfazer as necessidades da população. Está situação revela o quão o setor agrícola é vulnerável, chamando assim, com urgência de adoptar políticas e estratégias de desenvolvimento e organizar o país para competir no mercado internacional.
Outra situação gritante, que merece atenção de todos, é a questão do terrorismo, na zona norte do país, Cabo Delgado, que desde 2017, vem dizimando vidas para além de deslocações das massas e a fragilização da economia nacional. É dentre vários elementos, que coloca um ponto de interrogação sobre celebração eufórica da independência moçambicana
A região, possui riquezas naturais da incluindo gás natural e minerais, que poderiam ser uma fonte significativa de receita e desenvolvimento. No entanto, a insegurança impede a exploração desses recursos, resultando em perda de oportunidades econômicas e investimentos estrangeiros. A incapacidade do governo conter a violência e estabilizar a província através das FDS (Forças de Segurança) nacionais é um reflexo da falta de uma liderança eficaz.
Este cenário expõe a chamada de uma liderança robusta. Aliás, o país precisa de uma liderança a altura dos desafios dos moçambicanos, pois com a actual liderança no poder, torna-se evidente que a nação está cada vez mais rumo ao “retrocesso”. Na seio desta liderança, há uma força maior chamada “corrupção” que exerce um papel preponderante para a má gestão dos recursos públicos. Enquanto não mudar de comportamento e atitudes para fins particulares, em detrimento da colectivo, o país vai cada vez mais celebrar a sua independência no mar dependência.
O país desenvolve, eis que dizem, mas as estatísticas do desemprego, provam o contrário sobretudo para a camada juvenil que anda frustrada essa triste realidade, o que propicia para uma onda suicídio e sem perspectivas futuras. Dos poucos resistentes, procurar pelas chaves do país sempre foi a esperança, para conhecer outras nações onde possam sonhar e semear esperanças. Esse refugio, deve-se a falta de investimento em setores básicos de uma noção independente em educação, saúde, capacitação profissional e áreas afins. Por outro lado, Além a economia informal, que não oferece estabilidade ou segurança social, absorve grande parte da força de trabalho juvenil. Este cenário, sem dúvida, propicia elevados índices e rankings de pobreza e desigualdade.
Portanto, apesar de 49 anos de independência, o país ainda enfrenta vários desafios que comprometem o seu desenvolvimento nacional. A dependência alimentar, insegurança em Cabo Delgado, falta de liderança governamental e o desemprego juvenil são algumas das questões críticas que precisam de maior atenção, para que possa ser minimamente autossuficiente. Para alcançar uma verdadeira independência, é importante investir em agricultura que é o pilar fundamental da economia de uma nação, promover a paz e a segurança, fortalecer a governança e criar oportunidades de emprego em diversos sectores. Somente com esforços concertados e um compromisso genuíno com o desenvolvimento econômico e social, poder-se-á construir um Moçambique verdadeiramente independente e próspero.

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