A Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA) revelou, nesta quarta-feira, 23 de Outubro, que a greve convocada por Venâncio Mondlane provocou uma perda de mais de 1,4 mil milhões de Meticais sem contar com danos indirectos. Relativamente à greve marcada para os próximos dois dias, a CTA adverte que, para além de manchar a imagem do país além fronteiras, as mesmas podem trazer efeitos negativos para o turismo.
O sector informal, segundo a Confederação das Associações Económicas de Moçambique, foi o mais afectado pela paralisação parcial das actividades em todo território nacional.
“De forma preliminar a paralisação de actividades de actividade económica pode ter provocado uma perda de mais de 1,4 mil milhões de Meticais sem contar com danos indirectos. Nestas perdas, sobressai o impacto sobre o sector informal, que viu a sua actividade paralisada acima de 90%. Os prejuízos económicos e sociais para a classe trabalhadora e suas famílias são inquantificáveis, numa altura em que o país se debate com a problemática de desemprego acima de 18%, sendo os jovens os mais afectados”, observa a CTA.
Olhando para as greve anunciada para os dias 24 e 25 de Outubro corrente, a agremiação que representa o sector adverte que é necessário ter em consideração as consequências sobre a carestia da vida, impacto sobre a actividade e tesouraria das unidades económicas e produtivas que afectam a capacidade das entidades empregadoras do cumprimento das suas obrigações salariais para com os seus trabalhadores e a capacidade do mercado de satisfazer as necessidades essenciais dos cidadãos.
Alias, a Confederação das Associações Económicas de Moçambique observa que a onda de manifestações poderá afectar o sector do turismo na quadra festiva.
“Dada a publicidade que se tem feito dos tumultos a nível internacional, não temos dúvidas que os turistas que escolheram Moçambique como destino para a quadra festiva poderão cancelar. Isto colocará em causa a perspectivas de chegada dos 360 mil turistas nesta quadra festiva e possíveis perdas de receitas retidas em cerca de 50 milhões de dólares. Estas são razões suficientes para que, como sector privado, possamos pedir o fim de tumultos e pedir paz para que as empresas continuem a laborar, providenciado emprego e sustento para as famílias moçambicanas”.
Recentemente, a Agência de Rating, a Standard & Poors, baixou o rating de endividamento de Moçambique o que, de certa forma, poderá contribuir no aumento dos custos de financiamento, tanto no mercado interno como no internacional e, por isso, a CTA adverte que, mesmo direito um direito constitucional, a greve deve ser usada quando não há mais condição de negociação.
“Por isso, a CTA, reconhece que a greve é um direito constitucional. Entretanto, entende que o recurso à greve deve ser o último artifício, aquele que deve ser usado quando não há mais nenhuma condição de negociação e quando os interesses populares, ou dos trabalhadores, estão sendo verdadeiramente violados e atingidos em suas necessidades básicas. Ė necessário registar que o impacto negativo decorrente destes apelos à greve e das turbulências dela decorrentes, é o facto de Moçambique figurar do ponto de vista negativo nas manchetes dos órgãos de comunicação a nível internacional, o que prejudica a imagem do país, desestimula investimentos e coloca a economia nacional em posição de risco, afectando as conquistas que temos vindo a alcançar e a confiança que o ambiente económico nacional tem vindo a granjear” aponta a CTA, instando depois os partidos políticos para buscarem soluções que respeitam os direitos dos trabalhadores.
“Instamos, pois, todas as forças políticas e candidatos Sindicatos e servidores ao cumprimento do dever de considerarem outras formas de pressão e de reivindicação que não provoquem impactos tão negativos na vida da população. É necessário buscar soluções que respeitem os direitos dos trabalhadores, mas também levem em consideração o bem-estar coletivo e a necessidade de serviços públicos e privados eficientes e acessíveis. Instamos as instituições do Estado a agirem, nos termos da lei e das suas atribuições, no sentido de assegurar a lei, ordem e tranquilidade públicas, usando de todos os meios ao seu alcance para proteger os interesses económicos nacionais, públicos e privados, e a assegurarem condições para o normal funcionamento da nossa economia”

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