Maputo entre as cidades mais vulneráveis às alterações climáticas, aponta relatório da WaterAid

SOCIEDADE

Segundo um relatório recente da organização internacional WaterAid, a cidade de Maputo foi identificada como uma das mais vulneráveis do mundo às alterações climáticas extremas. O estudo, publicado em meados de Março corrente, revela que a capital moçambicana está entre as 100 cidades mais populosas do planeta que enfrentam riscos crescentes de inundações e secas, impactando directamente o acesso à água potável para milhões de habitantes

Luisa Muhambe

O relatório, intitulado “Água e Clima: Riscos Crescentes para as Populações Urbanas”, destaca que as cidades africanas e asiáticas são as mais expostas às mudanças climáticas extremas.

A análise dos dados climáticos históricos e das projecções futuras indica uma redução da precipitação anual e um aumento das temperaturas na Região Metropolitana de Maputo, que engloba os municípios de Maputo, Matola, Boane e Marracuene. Esses factores resultam na diminuição dos fluxos dos rios e no aumento da demanda por água, agravando a escassez hídrica e tornando as secas mais frequentes e intensas.

A WaterAid alerta que cerca de 17% das cidades analisadas enfrentam o chamado “efeito de chicote hidroclimático” – caracterizado por variações extremas entre períodos de seca e inundações. Maputo está entre essas cidades, acompanhada por capitais como Jacarta (Indonésia) e Adis Abeba (Etiópia). Além disso, 20% das cidades estudadas registaram mudanças significativas nos seus padrões climáticos, com regiões anteriormente secas passando a sofrer inundações severas e vice-versa.

No entender daquela organização, a vulnerabilidade de Maputo é agravada pelo rápido crescimento populacional e pelo alto índice de assentamentos informais, que representam 70% da cidade, sendo que a infra-estrutura precária de saneamento e o abastecimento de água intensificam o impacto das catástrofes climáticas, expondo a população a riscos sanitários e dificultando a adaptação às mudanças climáticas.

De acordo com Gaspar Sitefane, Director Nacional da WaterAid Moçambique, “os serviços melhorados de Água, Saneamento e Higiene são essenciais para a segurança hídrica e devem estar no centro de qualquer estratégia de adaptação climática. Sem acesso confiável à água potável, as comunidades ficam mais vulneráveis a doenças e incapazes de lidar com os impactos das mudanças climáticas”.

O estudo reforça, por outro lado, que 90% das catástrofes climáticas estão relacionadas à água – seja por excesso, como inundações, ou pela escassez, como secas, daí que a WaterAid apela para um maior investimento em infra-estrutura hídrica e sanitária, bem como para um compromisso dos governos e do sector privado na implementação de soluções eficazes para enfrentar a crise climática e garantir a segurança hídrica para as populações urbanas.

Entre as acções recomendadas, estão a ampliação de projectos de captação de água da chuva, a instalação de sistemas sanitários resilientes a enchentes e o fortalecimento do monitoramento dos níveis hídricos para prevenir crises. “As soluções podem ser simples, mas requerem um esforço conjunto para serem implementadas de forma eficaz”, enfatiza a organização.

Com a intensificação dos eventos climáticos extremos e a crescente pressão sobre os recursos hídricos, Maputo e outras cidades vulneráveis enfrentam desafios urgentes para garantir um futuro sustentável para seus habitantes.

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