Para o conceituado jornalista e analista, Tomás Viera Mário, o encontro entre o Chefe de Estado e o ex-candidato presidencial peca por ser tardio, uma vez que se tivesse acontecido antes ter-se-ia evitado o derramamento de sangue.
“Todo diálogo é importante desde que seja genuíno, isto é, guiado por finalidades honestas. Se for genuíno e honesto é bem-vindo, primeiro porque o Venâncio Mondlane é um actor político moçambicano incontornável, independente mente dele liderar ou não um partido político, portanto vejo esse encontro político como natural e aliás, muito tardio, porque, provavelmente, ter-se-iam evitado muitas mortes se tivesse ocorrido antes”, declarou.
Depois da primeira aproximação entre Chapo e Mondlane, Tomás Viera Mário espera que a Polícia da República de Moçambique (PRM) – muitas vezes criticada devido à sua postura violenta para conter as manifestações – seja mais humana e menos violenta contra os manifestantes.
“Espero que este encontro alargue o campo de diálogo iniciado no dia 08, entre o Governo e os partidos da oposição, mas que, sobretudo, devolva alguma normalidade ao País, de modo a voltar a ser governável. Neste momento não é governável e que o Governo mostre a sua honestidade no diálogo, através de uma intervenção policial mais humana e menos violenta contra os manifestantes. Um dos sinais que eu espero que mostre a utilidade desse diálogo é que o Governo nos traga uma polícia mais humana”, sublinhou.
Relativamente aos próximos passos depois do pontapé de saída, Tomas Vieira Mário não se quis colocar na pele de futurologista, porém referiu: ”penso que este diálogo vai continuar, não importa o formato, mas é muito provável que possa ser integrado naqueles termos de referência já aprovados, mas obviamente com um espaço próprio para o Venâncio, já que ele não é líder de nenhum par tido político, que é o critério desse diálogo”.

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