A oposição e suas posições

OPINIÃO

Hedson Massinga

Após um longo período de incertezas, o debate público e político girava em torno das manifestações convocadas pelo ex-candidato presidencial Venâncio Mondlane. Durante esse tempo, as atenções estavam voltadas para questões candentes que permeiam a sociedade. Os partidos políticos da oposição, em vez de adaptarem uma postura proactiva, têm-se limitado a apadrinhar a luta de Mondlane como um refúgio, evitando, assim, as suas responsabilidades directas. Um exemplo notável é a Nova Democracia, que, recentemente, realizou um Conselho Executivo Nacional, que se destacou pela sua organização e relevância. Mesmo dentro das suas limitações, teve a coragem e ousadia, de se colocar à exposição diante dos seus desafios, diferentemente dos que possuem fundos e estrutura e embraiam para discutir assuntos candentes que lhes servem como lamúria diante da frustrada derrota dos seus adversários directos.

Por outro lado, partidos como a RENAMO, o MDM e o PODEMOS, entre outros, parecem estar imersos em suas próprias batalhas internas, sem que isso transpareça ao público. Após a assinatura do compromisso do diálogo político, observou-se uma manobra deliberada para desmantelar as ambições do Movimento e dos seus apoiantes. A justificativa apresentada pelos partidos com assento parlamentar foi a de que o diálogo deveria ser restrito às suas fileiras, criando, assim, um espaço seguro para a FRELIMO e os seus interesses se protegerem das ameaças representadas pela crescente popularidade de Mondlane. Neste cenário, valia mais o sufocar de Mondlane, em relação ao desaparecimento político dos demais em detrimento dos interesses colectivos, que era o mais provável, diante do furacãoVM7, o temível por tudo e todos. Foi melhor meter o gato no saco e bater em vez de perder-se uma caixa inteira de peixe que será a tábua de salvação de todos.

A situação na RENAMO é emblemática; o seu presidente recusa-se a abdicar de sua posição sob a alegação de legitimidade eleitoral. Essa obstinação pode levar ao afundamento do partido, especialmente enquanto o seu porta-voz, o Deputado Chalaua, desmerece o PODEMOS e o considera um partido insignificante no actual cenário político, numa aparente tentativa de fugir dos verdadeiros problemas. Essa retórica revela não apenas tensões internas na RENAMO, mas também uma luta por relevância política que permeia todo o sistema.~

Como estratégia, vive-se falando mais dos vizinhos do que dos problemas da casa, que são mais gritantes, para se perpetuar a aparente falta de confusão, sendo isso uma estratégia de arrastar o problema até onde der. Ainda nesta senda, temos cânticos de uma possível persuasão do VM7 diante do desespero político dos seus membros.

O PODEMOS, após ter sido “carona” nas mobilizações populares, agora se encontra numa posição defensiva, aguardando o momento certo para se afirmar como uma segunda força política significativa das eleições de 2024. Contudo, as polémicas envolvendo deputados que não tomaram posse evidenciam que o partido precisa de agir rapidamente para restaurar a sua credibilidade. O apoio financeiro será crucial para recrutar figuras influentes e realizar um congresso que possa revitalizar as suas estratégias.

Por sua vez, o MDM permanece em silêncio estratégico; no entanto, murmúrios de dissensão interna indicam que há questões não resolvidas. A figura de Venâncio Mondlane já não deve ser utilizada como bode expiatório nos debates políticos. O Governo actual parece determinado a proteger as suas fragilidades contra exposições públicas, utilizando as Mídias para controlar a narrativa.

Diante desse cenário complexo e dinâmico, resta perguntar: qual será o destino do povo que antes encontrava nas falas e nas transmissões ao vivo de Mondlane uma forma de expressão e esperança? As redes sociais tornaram-se plataformas cruciais para a construção da opinião pública; portanto, é essencial considerar como essa narrativa irá evoluir e quais novos líderes poderão emergir nesse contexto.

Promo������o

Facebook Comments