Por: Afonso Almeida Brandão
Quando se envereda pelo Ensino Básico ou Secundário, duas vertentes se configuram no Horizonte: ser Professor ou ser professor. Quer isto dizer que a profissão é a mesma, escolha-se o que se escolher. Por um lado, pode-se ser professor naquela perspectiva que a Sociedade se habituou a alimentar há décadas.
Ou seja, um estudo social que anda pelas ruas da amargura, condições de trabalho de mera e franca subsistência, remunerações pouco desejáveis (o que leva, às vezes, determinados professores do nosso ensino a receber “por debaixo da mesa” algumas centenas de meticais para passar este ou aquele aluno) e todas as culpas acumuladas pelo insucesso dos alunos, pelo abandono da escolaridade e pelo desfasamento entre escola e a vida real.
Por outro lado, podem-se ignorar “estas incómodas amarras” e tentar ser Professor na plena acepção da palavra, ou seja, professor naquilo que se diz.
Claro que é um caminho muito mais difícil (o pleonasmo vem a propósito!), mas também é certo que dá prazeres «muito mais profundos» (convenhamos).
A diferença consistirá em não se resumir o papel de professor à função de transmitir teorias e postulados, muitas vezes já em desuso, mas em estar aberto à imprevisibilidade e às constantes mutações sócio-culturais. A diferença está em perspectivar a Educação como espaço de aprendizagem e de prazer, acolhendo alguns que se levantam pela manhã com vontade de chegar depressa à escola.
Infelizmente, de uma maneira geral, os alunos não estão habituados a usar o intelecto. Copiam respostas, decoram textos, debitam frases sem nexo e exibem “uma espécie de orgulho” na sua ignorância das coisas essenciais tanto da matéria de estudo como da vida em geral. E o que é mais grave é que esses mesmos alunos vão passando de ano para ano e acabam por concluir os seus cursos superiores sem saber nada-de-nada… Moçambique está cheio “destes” exemplos condenáveis. Não constituem segredo para ninguém…
Cabe ao Professor a audácia de, humildemente, reconhecer que urge começar uma verdadeira Reforma Educativa. E o Ministério de Educação — e os seus responsáveis — deviam ter este facto na Agenda do Dia. Não basta querer ensinar fórmulas e teorias, muitas vezes já ultrapassadas por novas descobertas científicas. Torna-se urgente educar para a Cidadania Colectiva. Torna-se urgente incentivar os nossos jovens a posicionarem-se de outra forma, perante a vida e a sociedade de maneira que sejam eles a reivindicar mais conhecimentos e a sentirem curiosidade pelo que se passa à nossa volta. E o exemplo, como sempre, tem de vir de cima.

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