Para aderir ao DDR: Mariano Nyongo confirma ter recusado oferta de USD 4 milhões de Mirko Manzone

POLÍTICA
  • “Não é o dinheiro que move nossa luta” – afirma líder da Junta Militar

Em entrevista exclusiva ao Jornal Evidências, o presidente da autoproclamada Junta Militar da Renamo, Mariano Nhongo, decidiu quebrar o silêncio e confirmar que recusou receber quatro milhões de dólares norte americanos (USD), equivalentes a 248 milhões de meticais, para se render, desmantelar o grupo por si liderado e aderir ao processo de Desarmamento, Desmobilização e Reintegração (DDR) dos antigos guerrilheiros da Renamo. A proposta havia sido feita pelo enviado especial do secretário-geral das Nações Unidas e coordenador do grupo de contacto, Mirko Manzone, mas Nhongo diz que a sua luta nunca foi pelo dinheiro, por isso manteve-se firme, apesar daquela oferta tentadora.

Jossias Sixpence-Beira

Desde a eclosão da nova vaga de conflito armado na zona Centro do país, curiosamente no mesmo dia em que era assinado o Acordo de Cessação Definitiva das Hostilidades Militares (01 de Agosto de 2019), vários intervenientes nacionais e internacionais prontificaram-se a intervir na mediação de uma possível porta de diálogo com o grupo dissidente da Renamo, que contesta a liderança de Ossufo Momade.

O conflito já causou a morte de pelo menos duas dezenas de alvos civis, para além de elevados danos materiais em alguns troços das Estradas Nacionais número Um e Seis (EN1 e EN6), mas desde Dezembro passado que a Junta Militar não reivindica nenhum ataque a alvos civis e militares, na sequência de uma trégua unilateral que Mariano Nhongo diz estar a ser reiteradamente desrespeitada pelo governo, que mobilizou Forças de Defesa e Segurança (FDS) para caçar seus homens e bombardear os esconderijos do grupo.       

Desde 2019, a Organização das Nações Unidas (ONU), através do representante do secretário-geral, Mirko Manzone, tem levado varias acções visando a aproximação entre o governo e a Junta Militar para integração de todos os membros no DDR. Foi nessa senda que o grupo dissidente da Renamo, enviou uma carta com as suas reivindicações ao gabinete do Presidente da República, mas a missiva nunca foi respondida e muito menos tornada pública.

Dentre várias tentativas levadas a cabo por Mirko Manzoni, com vista a convencer Mariano Nhongo a aderir ao DDR, consta, segundo o líder da autoproclamada Junta Militar, oferta de valores monetários como forma de compensação para deixar as matas.

A mais recente proposta veio do representante da ONU, que, segundo Nhongo, oferecia quatro milhões de dólares e outros benefícios para abandonar as matas, mas recusou a oferta alegando que não é dinheiro que move a sua causa, mas sim grandes interesses do povo moçambicano.

“Se estivesse preocupado com dinheiro teria invadido vários sectores comerciais locais, até actividades de garimpo aqui existentes, que movem grandes valores monetários, mas nós temos objectivos como Renamo”, disse Nhongo.

Mesmo depois de ter recusado a proposta financeira, Nhongo, conta que o representante da Organização das Nações Unidas (ONU) não desistiu. Tentou várias tentativas de negociação mas todas fracassam.

ʺNa semana antepassada ele contactou-me perguntando o que eu quero para aderir o DDR e eu disse que a minha condição de adesão é criação de uma equipa conjunta em que o governo indica os seus representantes e a Junta Militar também, para a discussão do documento enviado ao Presidente da República, afirmou Nhongo.

“Já havia avisado sobre a falta de seriedade desse processo”

Cerca de mil antigos guerrilheiros que aderiram ao DDR, com garantia de pagamento de pensão vitalícia e financiamento de projectos de geração de renda, estão sem receber pensões há seis meses. Recentemente, o presidente da Renamo, Ossufo Momade assegurou aos seus homens que brevemente será retomado o pagamento daquele direito adquirido quando passaram à vida civil, em meados do ano passado.

No entanto, Mariano Nhongo, que nunca viu com bons olhos a liderança de Ossufo Momade, está a rir-se de contente e lembra que desde o início denunciou que o processo não era sério.

“Já havia chamado atenção para a falta de seriedade deste processo. Os nossos colegas foram enganados e aderiram ao processo de DDR por dinheiro e eu estou em defesa da Renamo, não dinheiro”, sentencia Nhongo.

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