- Projecto inclui Porto de Águas Profundas Classe A+, parque eco-industrial e duas linhas férreas
- É já visto como bóia de salvação para o Aeroporto Internacional Filipe Jacinto Nyusi
A província de Gaza no sul do país, preparara-se para acolher aquele que poderá ser o maior projecto integrado de desenvolvimento pós independência, com a previsão de arranque, em Janeiro de 2023, da construção do Projecto do Corredor de Desenvolvimento de Chongoene (CDC), que para além de um Porto de Águas Profundas de Classe Mundial, contempla duas linhas ferroviárias de carga multiuso de alto densidade, parques eco industriais e pretroquímicos, entre outras infra-estruturas, num investimento total avaliado em pouco mais de 7.4 biliões de dólares norte americanos (USD).
Para viabilizar a primeira parte do Projecto do Corredor de Desenvolvimento de Chongoene (CDC), foi assinado, semana finda, um acordo entre a Moçambique STT, Sociedade Anónima (MOÇ – STT, SA), detida a 100% por cidadãos moçambicanos, e a PowerChina HHY Joint Venture (constituída pela PowerChina Hubei Engineering Limited, PowerChina Harbour Limited, e PowerChina Yellow River Limited).
Trata-se de um projecto executado pela Moçambique STT, a luz de um memorando, assinado em Fevereiro de 2019 com o Governo, através do Ministério dos Transportes e Comunicações (MTC), no qual aquela empresa moçambicana, a expensas próprias, comprometeu-se a custear, mobilizar e atrair financiamentos e investimentos para a sua implementação, sem recorrer a garantias soberanas ou contribuição orçamental do Estado.
O contrato ora assinado em Maputo com a joint venture chinesa, no passado dia 10 de Dezembro de 2021, está avaliado em US$ 324.120.000,00, correspondente a primeira fase da construção do Porto Marítimo multiuso de Águas Profundas e de classe Mundial, com a capacidade para manusear 150 milhões de toneladas de carga por ano.
Na sua primeira fase o Porto terá uma capacidade mínima de 10 milhões de toneladas de carga por ano e inclui um cais para navios de carga a granel e seca, tipo (Panamax 80.000 DWT), um cavalete de aproximação, uma área de armazenamento, um corredor de acesso, quebra-mar e estradas de ligação.
O projecto inclui a construção de Parques Eco-industriais e Petroquímicos, numa zona Franca em Nwampfumuine (Chongoene), para o agro-processamento, produção de energia e manufactura (leve e pesada) processamento de minerais, montagem de veículos e indústrias tecnológicas.
Acredita-se que com o surgimento do porto, vai nascer uma cidade portuária moderna, planeada, de classe mundial, com uma capacidade máxima de 500.000 habitantes. Tanto a nova cidade, assim como a demanda do porto e todas as infra-estruturas conexas poderão ser a bóia de salvação para a viabilização do Aeroporto Internacional Filipe Jacinto Nyusi, até aqui considerado elefante branco.
Já na segunda fase, prevê-se a construção de duas Linhas Ferroviárias de carga, sendo a primeira de 221 km, saindo do Porto de Chongoene, para Donga, Distrito de Guijá, onde fará a ligação com a linha dos Caminhos de Ferro de Moçambique (CFM) até Chicualacuala, na fronteira com a República do Zimbabwe. Esta linha vai assegurar o acesso ao Porto de Chongoene pelos países da SADC (Zimbabwe, Africa do Sul, Botswana, Zâmbia, República Democrática do Congo e Sudeste de Angola).
A segunda ferrovia será um ramal do Porto de Chongoene até ao Distrito de Jangamo, via Inharrime na Província de Inhambane, que é rica em recursos agrícolas e minerais, incluindo arreias pesadas.
Obras arrancam em 2023 e a conclusão está prevista para 2025

Segundo uma nota da Moçambique STT que tivemos acesso, a luz do contrato assinado, segue-se a partir do próximo anos a conclusão dos estudos de engenharia, de impacto ambiental e social, bem como projectos detalhados para apresentação e aprovação pelo Ministério dos Transportes e Comunicações (MTC), Autoridades Nacionais relevantes e a concessão pelo Governo de Moçambique.
Só depois desta fase é que iniciará a construção a partir de Janeiro de 2023 com a conclusão das obras prevista para Junho de 2025.
A Owner’s Engineer será responsável pela implementação dos Projectos Portuários e Ferroviários, enquanto a Econogistics (Pty) Limited vai liderar o consórcio de empresas internacionais de engenharia.
Refira-se que este mega projecto de desenvolvimento que vai melhorar as condições de via de milhares de moçambicanos, dinamizar a mobilidade na região e chegou a ser ameaçado por um pequeno projecto de uma pequena doca da empresa Ding Sheng, que explora arreias pesadas em Chibuto, que invadiu o espaço onde será implantado o Porto de Águas Profunda da Classe A+ e sem nenhuma autorização do governo e sem respeitar questões ambientais, destruiu dunas primárias. Por constituir um grave crime ambiental o caso corre neste momento na justiça onde são arguidos pelo menos dois gestores da referida empresa chinesa.

Facebook Comments