Razia quase total da Zambézia nos órgãos da Frelimo

POLÍTICA
  • Ecos do XII Congresso

Não esteve na agenda a sucessão, num momento em que quando se fala da vez do Centro ganha destaque a Província de Zambézia, um conglomerado de nomes sonantes, com excepção de Damião José, voltou ao anonimato. Na semana passada, tomou posse a sucessora de Caifadine Manasse no cargo de porta-voz da Frelimo, Ludmila Mwaa Rafael Maguni, que até à data da sua eleição ao secretariado era secretária de Estado da província de Inhambane. Manasse fazia parte da ala zambeziana, que chegou a triunfar ao conseguir influenciar as eleições na OJM e derrubar o candidato do secretário-geral, Roque Silva, que veio a sair fortalecido no último Congresso.

Evidências

Já se cogitou a possibilidade de a província ser representada nas internas da Frelimo, com Basílio Monteiro a ser referenciado como um presidenciável assumido, mas viria, estranhamente, a chumbar na corrida a membro da Comissão Política. Recorde-se que Basílio Monteiro foi um dos primeiros a mostrar vontade de concorrer e chegou a montar um gabinete de candidato.

É a ele que se acredita que eram dirigidas as palavras duras de Roque Silva, quando se atirou aos “voluntários” e declarou “não basta você se querer, o partido tem que te querer, para você se querer”. A fragilização dos principais actores da Zambézia é vista como uma tentativa de cortar a sua influência nas próximas lutas, sobretudo pela sucessão.

A par dele, da mesma província, veio a perder a continuidade na Comissão Política, Conceita Sortane, o que configurou um duro golpe à uma província que estava em grande naquele órgão, e porque não se podia ter a situação da Província de Maputo que não tem nenhum representante, ascendeu, pela renovação, Damião José, uma surpresa que ganhou várias interpretações.

Este não foi o único assunto a colocar Zambézia na agenda, foi também o barulho que se fez ouvir no decurso das eleições da OJM, grandemente influenciados pela província de onde é originário o actual secretario-geral, Silva Livone, que não esteve na equação de Roque Silva, mas que graças a “astúcia” dos zambezianos, o poder do secretário-geral veio a ser reduzido no seio dos jovens.

Este episódio só veio agudizar as relações de Caifadine Manesse e Roque Silva, que já estavam frágeis. O primeiro ganhou na OJM, ao influenciar, com a sua ala, a indicação de secretário a imagem das províncias, mas estas e outras rixas com Roque Silva custaram caro para Manesse, que teve sérias dificuldades de entrar no Comité Central ao concorrer a nível de províncias, e viria a ser “banido” do secretariado do Partido, num Congresso onde o secretário-geral, com todas as suas deficiências, saiu fortalecido.

Com a saída de Manesse no secretariado, entrou para ocupar o mesmo cargo Ludmila Maguni, eleita para o secretariado do Comité Central e com a sua nomeação para o cargo de porta-voz do partido sexagenário, por incompatibilidade de funções,  Maguni cessou a função de Secretária de Estado da província de Inhambane.

No secretariado a varredura da Zambézia não se limitou a Caifadine Manesse, como também ao Chakil Aboubacar, um outro nome da mesma província.

São movimentos de uma província que, coincidência ou não, já estava numa posição “manchada” e com o histórico a deixar escapar uma percepção de perseguição até fora das leads partidárias. Tais são os casos de Gregório Leão e António Carlos de Rosário, que estão no escuro do julgamento da dívidas ocultas.

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