QUER UM TÁXI? LEVO 150 METICAIS…

OPINIÃO

Afonso Almeida Brandão

No princípio era o “verbo”. Pelo menos é o que diz o Evangelho. O “verbo” ou seja a palavra TÁXI (quer seja legal ou ilegal), a operar nas ruas de todas asnossas cidades, de Norte a Suldo País — era ser  e fazer ser com qualidade. Após a Independência de Moçambique, em 1975, apresentaram-se ao Mercado cheios de soluções para um meio de transporte tantas vezes utilizado. Uma forma moderna e actual de utilização do serviço de Táxi mais ágil e dinâmica, facilmente paga através de Meticais, Randes, Libras ou Dólares USD, pois os Motoristas aceitam tudo depois da  respectiva conversão do câmbio do dia, com mais ao menos margem de enganos para o Cliente. Foi um tempo bom o dos princípios da utilização em Moçambique, Motoristas bem arranjados, com carros novos para alguns e a cheirar bem, muitas das vezes até com a oferta de um «desconto simpático» se a corrida fosse razoável. Era tão bom que todos queriam utilizar e foi tão forte a sua marca que os taxistas se insurgiram contra alguma concorrência supostamente desleal dos seus “parceiros” clandestinos que não  os obrigava a pagar as elevadas licenças praticadas. Existiram  tumultos, agressões, ameaças e manifestações na rua mas o serviço daqueles que funcionavam com a papelada legal vingou e proliferou, não obstante continuarem a circular “à candonga” pelas nossas cidades, uma boa parte dos Táxis “ilegais”. Ganhou novos Agentes e empresas privadas, bem como de uns tantos automóveis por conta própria, por tudo quanto era lado passando a ser o transporte preferencial de quem queria deslocar com qualidade e sem ser surpreendido por alguns “artistas” que nos tentavam enganar nas corridas do Aeroporto para o Centro da Cidade ouArredores.

Com o passar do tempo e com a preferência da procura a aumentar cada vez mais, para além daqueles motoristas que já detinham os números dos Telemóveis de alguns Clientes certos, os condutores moçambicanos foram-se fartando das margens pequenas que conseguiam faturar, sobretudo da parte daqueles que trabalhavam para os patrões, e uma boa parte deles começaram a sair deixando uma brecha no mercado que foi suprida essencialmente por imigrantes (ou meros turistas), sobretudo da Ásia, Índia, Bangladesh, África do Sul,Portugal,Inglaterra,Brasil,Estados Unidos da América, Espanha, Itália, etc., etc.. Foi mais ao menos por aí que o serviço começou a decair. Não por causa da Nacionalidade específica mas porque os novos condutores não conheciam as ruas, nunca antes haviam circulado em Maputo, Beira, Quelimane ou por Nampula e quando perguntavam ao Clientes que ajudassem a indicar o destino e estes não sabiam o que responder, os problemas acabavam por ter reacções diversas… e os Motoristas lógigamente não sabiam o que fazer.

Aconteceu connosco. Estávamos em 1994, quando chegamos a Maputo. Uma vez distraído à conversa no banco de trás, a caminho de um Restaurante chamado Piripiri (que se localizava à época, ao fundo da Av. 24 de Julho), acabei no Zâmbi a teimar com o condutor que não era ali para onde eu desejava ir. Tivemos de perguntar a um Agente da Polícia que se encontrava no local qual era o melhor caminho. Olhou para nós com ar surpreendido e disse que estavamos muito distante da zona pretendida. E explicou ao Motorista o melhor trajecto a seguir. Conclusão: tivemos que ir dar a volta à Baixa de Maputo e regressar para trás perante a estupefação e a risada geral, com o jovem simpático motorista a lamentar-se «Desculpa, “patrão”, mas “nós” não conhecer bem Maputo…»

O probelam são os fenómenos que se lhes seguiram. E esta é a parte verdadeiramente grave. Hoje em dia são mais as vezes que me dizem não poder levar às zonas que pretendemos quando se apercebem das distâncias curtas do que os que vêm à primeira. Então à noite é fatal como o Destino. Com uma agravante. Saímos de Bares ou Discotecas e quando chamamos um Táxi através da recepção da Discoteca para determinado local, o Motorista demora a dar voltas e mais voltinhas e vai saltitando de uma rua para uma avenida e vice-versa, perdendo-se invaviavelmente tempo excessivo quando o que queríamos era chegar repidamente a casa. E ainda por cima com o taximetro a marcar, como não podia deixar de ser.

Mas não só, à porta da “Boite”ACAVE, nas emidiações da Praça da Mc Mahon,  carros com o letreiro TÁXI acumulavam-se parados.

Numa outra ocasião, quando já fartos da espera lá vamos bater à janela do vidro da viatura e o Motorisrta finge-se de desentendido e diz não estar a trabalhar ou, pasme-se, nos pergunta o destino e ao ver a nossa impaciência nos oferecem para transportar por 150 Meticais, da Praça dos CFM até ao Alto Maé. Mas não é um caso esporádico, são cada vez mais as pessoas que passam por esta experiência — quer o cidadão Nacional, quer o cidadão Estrangeiro —, ou outros que vão passar na estrada e nos veem à procura de algum carro e afrouxam a perguntar se queremos transporte pelos tais 150 Meticais,20 Dólares USDou30 Randes. É verdadeiramente surreal.

Há dias, numa ida até ao Hotel Polana,de um amigo nosso de férias em Maputo, explicava revoltado que o tema parece estar a gerar muito desconforto dentro do meio dos TÁXIS e revelou-nos um outro facto que merece atenção. Cartas de Condução FALSAS ou emitidas ilegalmente por alguém aldrabão, que funciona “a partir da sobra da clandestinidade”, a troco de 8 a 10 Mil Meticais. E esse nosso amigo até me mostrou um número de telefone de alguém que parece resolver o assunto em dois tempos, num “abrir e fechar de olhos”, aquandon da sua chegada a Portugal. Fantástico, no mínimo! Para não dizer inacreditável.

Até quando é que Moçambique vai continuar a apresentar estes casos “insólitos”, vergonhosos e absolutamente condenáveis? — questionei sem pensar. A resposta não se fez esperar: «Até sempre!Enquanto a política da «mão que lava a outra» continuar a ser «Moeda Corrente»,em Moçambique, onde tudo é possível e acontece, o “aproveitamento”dos moçambicanos em todas as áreas, não vai acabar…»

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