Chang ainda não embarcou, mas deve ser entregue hoje ao Departamento da Justiça Americano

DESTAQUE POLÍTICA
  • Julgamento de Chang nos EUA pode coincidir com as eleições autárquicas
  • Chang só precisa sacrificar nomes dos “mandantes” para se ver livre dos americanos

 

O ex-ministro das Finanças, Manuel Chang, continuava, até esta segunda-feira, nas mãos dos sul africano, agora envolvidos em ultrapassar os procedimentos burocráticos para que o antigo ministro seja extraditado para os Estados Unidos da América (EUA). O jato que trouxe funcionários do US Marshall para buscar Chang na África do Sul (RAS) continuava, na madrugada de hoje, em terra no aeroporto de Lanseria.

 

Evidências

 

No momento, os agentes do US Marshall, o serviço penitenciário dos EUA, que deverá levar Chang para ser julgado por fraude e corrupção, aguardam pela entrega. Espera-se que ainda nesta terça-feira Manuel Chang embarque para os EUA.

Chang está preso na África do Sul desde Dezembro de 2018. Esforços legais para evitar que a sua extradição para os EUA acontecesse expiraram em Maio deste ano, quando o Tribunal Constitucional indeferiu o segundo pedido da Procuradoria-Geral de República (PGR) de autorização para recorrer do acórdão do Tribunal Superior de Joanesburgo de Novembro de 2021, segundo o qual Chang deveria ser extraditado para os EUA e não para Moçambique, como o ministro da Justiça da SA, Ronald Lamola, havia ordenado em agosto de 2021.

O jornal sul africano Daily Maverick escreve que não conseguiu estabelecer a causa precisa do atraso na segunda-feira, mas as autoridades estavam confiantes de que tudo seria resolvido a tempo de Chang ser entregue às autoridades americanas na pista do Aeroporto de Lanseria nesta terça-feira.

 

Ele viajará numa aeronave Gulfstream com a matrícula N708JH, um “pássaro” de luxo, raramente visto a aterrar em aeroportos africanos, segundo especialistas.

 

A extradição de Chang para os EUA poderá gerar nervosismo em Maputo, no seio do poder político, com receios de que este venha expor os reais mandantes das dívidas ocultas. Lembre-se que o Julgamento de Maputo fez vista grossa aos mandantes, julgando unicamente as comissões distribuídas no calote. Em termos numéricos, foram julgados menos de 300 milhões de dólares, quando o valor real da dívida foi de mais de dois mil milhões de dólares. A extradição de Chang para a terra do Tio Sam representa uma derrota a PGR, que, em um aparente expediente político, tudo fez para evitar que Chang chegasse aos EUA.

Entre analistas, é consensual a ideia de que, nos EUA, onde é acusado de defraudar investidores americanos, Chang só precisa entregar nomes para se ver absolvido.

 

Ao chegar aos Estados Unidos, Chang não será imediatamente julgado, pois seus advogados arguiram uma questão prévia: exigem que a acusação seja anulada por causa do tempo em que Chang passou em prisão preventiva sem ser julgado, mais de 4 anos. Prevê-se que o julgamento venha iniciar em Outubro, mês que coincide com as eleições autárquicas em Moçambique. 

O antigo ministro das finanças foi detido pelas autoridades da África do Sul quando seguia para o Dubai, a pedido da justiça americana, pelo seu suposto papel no chamado escândalo das “dívidas ocultas”, em especial pelo facto de investidores americanos terem sido defraudados pelas autoridades de Maputo.

Depois de uma longa batalha judicial, com a Procuradoria-Geral de Moçambique a pedir a extradição do antigo ministro para Maputo, a fim de ser julgado num processo aberto depois do pedido de extradição dos EUA, o Governo sul-africano decidiu que ele será enviado para os Estados Unidos, mas ainda não divulgou a data.

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