“Renamo saiu mais fortalecida das VI Eleições Autárquicas” – Sérgio Chichava

DESTAQUE POLÍTICA
  • Académico aponta cumplicidade da comunidade internacional na fraude
  • “A Frelimo sai fragilizada e nessas eleições perdeu muito do seu prestígio”
  • “Não é que a Renamo ficou forte de um dia para o outro, a Frelimo é que não faz nada”
  • “As pessoas querem punir a Frelimo e a Renamo é o tubo de escape das pessoas”

 

Os resultados tornados públicos pelas Comissões Distritais de eleições indicam que a Frelimo venceu em 64 dos 65 municípios, uma vitória que é contestada pela Renamo, que denuncia fraude, ao mesmo tempo que reclama vitória em pelo menos 17 autarquias. Apesar do que dizem os dados oficiais, o analista e pesquisador Sérgio Chichava considera que o partido liderado por Ossufo Momade saiu mais reforçado e não tem dúvidas que foi roubado no grosso dos municípios. Para o acadêmico, a Frelimo é que sai com a imagem muito fragilizada. Por outro lado, Chichava aponta que o Movimento Democrático de Moçambique (MDM) é um partido de bairro, que se limita apenas a lutar pelo município da Beira.

Duarte Sitoe

Baseando-se nos ilícitos eleitorais e no nível de contestações que foram reportados um pouco por todo o país, o analista e pesquisador Sérgio Chichava entende que a Renamo é que saiu mais reforçada em relação a Frelimo nas eleições de 11 de Outubro passado.

“Embora os resultados preliminares indiquem que Frelimo é maior vencedora do escrutínio, a Renamo é que sai mais reforçada porque a ideia que existe é que nestas eleições a Renamo foi roubada. A Frelimo sai muito a perder nessas eleições, pois mesmo que os resultados definitivos digam que ganhou, do ponto de vista da imagem sai muito fragilizada. É um partido que numa eleição perdeu muito do seu prestígio. Nas outras eleições foram reportados casos de fraude, mas desta vez a amplitude da fraude foi maior e não é possível esconder, pois as pessoas estavam atentas”, sublinhou.

Numa altura em que a Renamo está aparentemente aos poucos a substituir a Frelimo, como partido das massas a contar pela moldura humana espontânea que segue as caravanas da Renamo, Chichava desmistifica a aparente popularidade da perdiz defendendo que é por culpa própria da Frelimo.

“Não é que a Renamo ficou forte de um dia para o outro ou que as pessoas passaram a simpatizar com a Renamo. A Frelimo é que não fez nada e tudo que está a acontecer é culpa da Frelimo. A Frelimo não está a fazer nada para justificar essa tal vitória esmagadora”, declarou.

Quando se caminha a passos largos das eleições gerais, Chichava prefere não se empolgar com a aparente boa fase da Renamo, observando que o maior partido da oposição ainda não mostrou os porquês de ser uma verdadeira alternativa à Frelimo.

“A Renamo sai reforçada no sentido de que foi um partido vítima do roubo, ao contrário da Frelimo, porque criou-se a ideia de que ganhou por via do roubo, mas francamente a Renamo ainda não me convenceu de que pode nas próximas eleições por si só ser alternativa à Frelimo. Se a Renamo for um adversário difícil de bater nas próximas eleições não será por mérito próprio, mas sim porque as pessoas querem castigar a Frelimo. A Renamo está posicionada para ser um tubo de escape das pessoas”, disse.

“As pessoas estão fartas … é um erro a Frelimo tentar ganhar tudo à força”

Vincando que a Frelimo ganhou porque roubou, Chichava aponta baterias para os actuais dirigentes da CNE e STAE, que, no seu entender, não têm legitimidade para continuar.

“As eleições servem para legitimar. As pessoas estão fartas, acho que é um erro a Frelimo tentar ganhar tudo à força. Não é uma atitude de um partido maduro. Este apoio que a Renamo teve surpreendeu a própria a Renamo, porque não esperava ter muito apoio, sobretudo na Cidade de Maputo, e a Frelimo está surpresa porque achava que fosse passear a classe”, salienta.

Chichava vai mais longe observando que, apesar da boa fase e resultados históricos obtidos este ano, a Renamo precisa de uma alternativa ao nível do topo para ombrear com a Frelimo nas próximas eleições gerais.

“Não tenho nada contra Ossufo Momade, mas é preciso que a Renamo tenha alguém capaz de galvanizar o eleitorado. Essa eleição vai ser difícil, tanto para a Renamo assim como para Frelimo. É preciso que a Renamo apresente um candidato que possa atrair maior e mais apoio, se isso acontecer podemos ter eleições competitivas. A Frelimo tem presença em todo o país e controla tudo, e a Renamo não tem essa capacidade. É preciso que a Renamo se organize seriamente e controle o processo de votação seriamente”, destaca.

Tal como aconteceu em 2018, nas V eleições Autárquicas, o Movimento Democrático de Moçambique alcançou um triunfo inequívoco na Cidade da Beira. No entanto, Sérgio Chichava refere que o partido liderado por Lutero Simango perdeu ambição.

“O MDM não é nada, é um partido de bairro. Eles não têm ambição de ser um partido nacional. Eles têm ambição de ser um partido beirense. Basta ganhar na Beira, estão satisfeitos. São a terceira força política porque controlam a Beira”, analisou.

Nas entrelinhas, o analista e pesquisador referiu que a comunidade internacional tem sido cúmplice dos ilícitos eleitorais em Moçambique.

“As queixas de fraude têm a cumplicidade da comunidade internacional. Quando é que a comunidade internacional foi contundente para que órgãos de administração eleitoral realizassem eleições transparentes? No dia que quiser que em Moçambique haja eleições credíveis, a comunidade internacional vai exigir. A comunidade internacional faz muito pouco para que Moçambique tenha eleições transparentes”, conclui.

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