PCA do IGEPE reconheceu estar a par dos procedimentos ilegais na LAM

DESTAQUE POLÍTICA
  • Em reunião com os trabalhadores da empresa
  • Reunião acontece numa semana em que a empresa não
  • Theunis Crous precisa de seis milhões de dólares

Depois de reunir com o ministro de Transportes e Comunicações, Mateus Magala, os trabalhadores das Linhas Aéreas de Moçambique (LAM) reuniram, semana passada, com a presidente do Conselho de Administração do Instituto de Gestão das Participações do Estado (IGEPE), Ana Senda, para dar a conhecer aquilo que chamam de informe, que na verdade é uma denúncia que expõe a incapacidade da Fly Modern Ark (FMA) na gestão da LAM. O mesmo documento já tinha sido apresentado ao ministro Magala. O SINTAC (Sindicato Nacional dos Trabalhadores de Aviação Civil Correios e Comunicações – Comité da Empresa- LAM) ouviu de Senda a confirmação de que “LAM não está bem” e que os trabalhadores daquela empresa devem se abster de acatar decisões ilegais, para além de fazer referência das “nomeações e demissões ilegais”, lê-se na síntese da reunião que retrata a reunião. Além de problemas administrativos que dominaram a reunião, a LAM enfrenta problemas operacionais, como se viu semana passada, em que a empresa foi obrigada a pagar bilhetes da delegação da presidente da AR, Esperança Bias, na Emirates Airways, depois de ter “pendurado” a ela e outros passageiros, incluindo jogadores da selecção nacional porque o “dono” do avião exigia pagamento da dívida para poder colocar seu aparelho a voar para Maputo.

Aquilo que por várias vezes era ameaça, semana passada teve a sua execução: A EuroAtlantic Airways recusou ceder seu avião à LAM para fazer o voo Maputo – Lisboa, na quinta-feira, deixando entregue à sua sorte a selecção nacional de futebol e a presidente da Assembleia da República, Esperança Bias. E, neste momento de pico na europa, mandou seu avião para Guiné-Bissau. No mesmo voo devia seguir a selecção nacional.

Aquela foi a materialização das várias ameaças que a EuroAtlantic Airways vem fazendo para ver suas contas pagas, face a uma gestão que tem sérios problemas de pagar seus fornecedores, incluindo os fornecedores de combustível. É também uma das causas de a LAM não ver suas cores pintadas no avião que faz a operação de Maputo- Lisboa.

Para desbloquear o voo responsável por ligar Lisboa e Maputo, a LAM, que é gerida pela FMA, teve que pagar parte dos 1.4 milhões de euros. Mas não constitui isso uma novidade, e desta vez só teve repercussão porque as vítimas foram o poder político, e a LAM teve que pagar bilhetes da delegação de Esperança Bias no Emirates Airways.

Mas estes são problemas do dia a dia da empresa. E já foram levados ao ministro, que vem se mostrando cúmplice da gestão da FMA, havendo até fortes indícios de troca de favores, como se viu com o pagamento de hotel onde o ministro esteve hospedado durante as férias em Cape Town. O documento do SINTAC arrola as promessas feitas e confronta com o estágio actual da empresa, o resultado é de uma autêntica degradação de qualidade se serviços e segurança.

Na semana passada, os problemas da companhia foram discutidos com a PCA do IGEPE. Em resposta, de acordo com a acta de reunião a que o Evidências teve acesso, Ana Senda apelou à união dos trabalhadores para alavancar a empresa.

“(…) as comissões de trabalho, os técnicos de diversas áreas, quando incumbidos para uma missão devem dar relatórios verdadeiros, e não fazer relatórios falsos, com vista a agradar as chefias e colocar em causa o sucesso e a integridade dos processos bem como a segurança dos passageiros”, lê-se no documento.

Num contexto em que são arroladas medidas de arranjos, sem observância pelas processo, Senda orientou os trabalhadores a não comprimir “ordens superiores que sejam ilegais, alertando que a responsabilidade será individual, pois, no seu entender, as ordens devem sempre seguir o plasmado nos manuais internos e assentes na lei; fez menção também que tem conhecimento sobre as nomeações e demissões ilegais”, apelando que o “sindicato deve continuar a desempenhar o seu papel sem medo e sempre firme, pois este é o legítimo representante dos trabalhadores”.

Theunis Crous diz que até final de Julho os voos da Cemair serão retirados

A administração da Theunis Crous vem sendo criticada a todos níveis, tanto administrativo quanto operacional. O facto é que não há evidências que confirmam sua capacidade de gerir uma companhia comercial. E os resultados na LAM confirmam a incapacidade. A nível doméstico, a LAM tem em terra aviões que não podem voar por falta de manutenção regular.

No balanço do director-geral da LAM, que há mais de um ano quando assumiu a companhia prometeu tornar a empresa rentável e autossuficiente, está a pedir um resgate financeiro do governo.

“Para que todas as aeronaves em solo possam ser reparadas é necessário um financiamento da ordem de 6,5 milhões dólares para compra de peças de reposição, ferramentas e equipamentos/motores”.

Outras medidas administrativas que se mostram onerosas para empresa é o aluguer de aviões no modelo sob ACMI (Aeronave, Tripulação, Manutenção e Seguro), ou seja, um tempo de aluguer que não é aceitável para companhias como a LAM, que têm próprios pilotos e toda sua equipa.

Actualmente, há 3 (três) CRJ900s sob ACMI. Theunis Crous explica que “embora os contratos tenham sido feitos numa base ad-hoc para preencher o vazio, não se pretende que sejam uma solução a longo prazo para os desafios da frota da LAM. Trata-se apenas de uma solução provisória”, no entanto, já se foram 8 meses.

Ele promete que até ao final de Julho de 2024 os CRJ900 da Cemair serão retirados da frota da LAM. O plano é consolidar a frota da LAM apenas com aeronaves Boeing e Q400. “Isto permitirá à LAM alcançar a uniformidade ideal da frota, trazendo assim benefícios em termos de custo-eficácia em termos de custos de tripulação e manutenção”.

Enquanto se discute questões operacionais, na gaveta continua uma incógnita a renovação do contrato com a FMA, que se encontra expirado, mas a ser empurrado pela barriga pelo ministro Magala, naquilo que é interpretado como sendo apenas orgulho e arrogância de quem não quer reconhecer que falhou na escolha do “salva-vidas”.

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