A Livaningo que se preocupa com o bem-estar social das comunidades, além de trabalhar nas questões específicas do seu Plano Estratégico, tem ampliada a sua actuação, intensificando o seu trabalho nas comunidades ou pessoas deslocadas devido a ocorrência de eventos extremos, assim como forçadas a deixarem seus países de origem devido a perseguição, conflitos armados, violência generalizada ou graves violações dos direitos humanos.
Em 2022, em coordenação com o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR) e o Instituto Nacional de Apoio ao Refugiados, delegação de Nampula (INAR), no âmbito do projecto “Enhace Private Sector Engagement and Access to Markets in Fragil Contexts”, financiado pelo Banco Africano de Desenvolvimento, a Livaningo iniciou em Maratane, um trabalho que visava aumentar o envolvimento do sector privado para melhorar a inclusão dos sistemas de mercado e o empreendedorismo no Centro de Refugiados e Requerentes de Asilo de Maratane e nas comunidades anfitriãs.
No Centro dos Refugiados e Requerentes de Asilo, os desafios impostos pelo deslocamento forçado, as mulheres refugidas e requerentes frequentemente enfrentam barreiras adicionais, principalmente a discriminação de gênero e dificuldades de acesso a redes de apoio económico.
Para promover seu empoderamento económico, a Livaningo identificou a formação em empreendedorismo e negócios como uma alavanca para impulsionar alternativas de iniciativas de renda, que de certo modo, podem proporcionam uma rede de segurança, oferecendo à mulher refugiada e requerente de asilo resiliência, diante de várias incertezas.
Com efeito, cinco (5) cooperativas estão sendo criadas no Centro de Refugiados de Maratane pela Livaningo, sendo uma delas, a de produção de sabão orgânico, que já possui uma estrutura produtiva e de venda dos produtos.
A cooperativa que se dedica na produção de sabão em Maratane é composta na sua totalidade por mulheres de diversas nacionalidades, mas que unidas pelas necessidades de criar oportunidades colectivas, lutam para transformar as suas vidas e superarem os desafios das suas famílias. Os treinamentos em técnicas de produção de sabão usando material local, proporcionados pela Livaningo e o ACNUR, permitiu que as mulheres adquirissem conhecimentos e habilidades necessários para a manutenção da cooperativa. A produção iniciada no final do ano passado já colocou no mercado 2003 sabões, para garantir a sustentabilidade da actividade. A produção é 100% artesanal e prioriza o uso de moldes simples, mas extremamente eficazes para a natureza do trabalho e produto produzido.
A comercialização é feita pelas próprias mulheres, para além da venda ambulante, as feiras de negócio promovidas pela Livaningo e outros parceiros têm sido uma das apostas das mulheres na divulgação e venda de seus produtos.
“Até então, a real divisão ou socialização dos lucros é prematura, os ganhos com as vendas estão sendo investidos em matérias de produção, uma vez que, o material inicial lhes foi facilitado pela Livaningo. Elas querem garantir uma estabilidade na aquisição da principal matéria-prima, posto isso, vão dividir os ganhos de forma efectiva”, disse a Jordina Amado, oficial de negócios da Livaningo.
Cristine Modega, membro da cooperativa, é confiante que dias melhores virão: “Temos sonhos de um dia produzir nosso sabão em grandes quantidades e vender para empresas em Nampula e outras regiões do mundo”.
Para a Livaningo, a constituição de cooperativas no Centro de Refugiado de Maratane e na comunidade anfitriã continua sendo uma das abordagens mais eficazes de promoção de fontes estáveis de renda, por meio de desenvolvimento de actividades económicas colectivas que ajudam a superar a dependência de assistência institucionalizada por parte dos beneficiários da iniciativa.

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