Depois da Policia disparar gás lacrimogêneo contra jornalistas que estavam a entrevistar o candidato presidencial Venâncio Mondlane à margem da manifestação de repudio contra o bárbaro assassinato de Elvino Dias e Paulo, os moçambicanos esperavam que, no mínimo, o Governo reconhecesse que houve excesso de zelo na actuação dos agentes da lei e ordem, mas, debalde, através do porta – voz do Conselho de Ministros, Filmão Suaze, o Executivo fez questão de renovar o modo “insensível” e jurou de pés juntos que não houve disparos contra jornalistas.
Contra facto não há argumentos: a Policia da Republica de Moçambique disparou gás lacrimogêneo contra jornalistas que estavam a cobrir a manifestação de repudio contra o assassinato de Elvino Dias e Paulo Guambe, sendo que na sequencia alguns jornalistas ficaram feridos.
No entanto, quando foi chamado a comentar o modus operandi da corporação chefiada por Bernardino Rafael, o Executivo negou de pés juntos que houve disparos contra jornalistas, ou seja, activou o modo “insensível” tal como fez no balanço da marcha que visava homenagear Azagaia.
“Eu não posso assumir, porque não é verdade. Eu também assisti que tenha havido disparos contra jornalistas. Houve disparos contra manifestantes e os jornalistas estavam posicionados num lugar onde também estavam manifestantes, e, nessa sequência, terão sido atingidos por essas balas de gás lacrimogêneo, o que levou que tivessem de se dispersar, terminando a conferência que estava a acontecer por parte de um dos candidatos presidenciais”, declarou Filimão Suazi.
Relativamente ao uso de balas verdadeiras para dispersar os manifestantes, Suazi revelou que haverá um estudo e, posteriormente, o Governo poderá se pronunciar sobre o assunto.
“Se tiver havido algum excesso na actuação das Forças de Defesa e Segurança, no dia ontem, há-de ser matéria que ainda está em estudo e, no momento oportuno, poderá haver um pronunciamento, primeiro para confirmar, se efectivamente foi por parte das Forças de Defesa e Segurança, se foram usadas balas verdadeiras, e de facto para confirmar se não terá sido por parte das Forças de Defesa e Segurança, terá sido por parte de outras pessoas para provocar o caos”, referiu.

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