Cidade de Maputo às moscas no primeiro dos dois dias da greve geral

DESTAQUE POLÍTICA SOCIEDADE

A capital moçambicana, Maputo, tal como aconteceu na segunda-feira, 21 de Outubro, acordou tímida nesta quinta-feira (24) na sequência da greve convocada pelo candidato suportado pelo PODEMOS, Venâncio Mondlane. Instituições públicas e privadas encontram-se encerradas. Os vendedores informais, por sua vez, fizeram-se aos mercados, contudo, debatem-se com a falta de clientes.

Em protesto contra os 25 tiros que tiraram a vida de Elvino Dias, disparados por indivíduos até aqui desconhecidos, Venâncio Mondlane convocou uma manifestação nacional de 25 dias, sendo que o primeiro cumpriu-se no dia 21 de Outubro corrente. Na manifestação agendada para os dias 24 e 24, Mondlane decretou que todas as instituições públicas e privadas devem estar encerradas.

Parece que os munícipes das Cidades de Maputo e Matola anuíram ao anúncio do candidato presidencial do PODEMOS, uma vez que estabelecimentos públicos e privados encontram-se encerrados.

O Evidências percorreu algumas avenidas da Cidade de Maputo nas primeiras horas do dia e viu um cenário diferente do normal. Os transportadores saúdam a ausência do habitual congestionamento, mas, em contrapartida, debatem-se com a falta de passageiros.

A título de exemplo, Xavier Magaia, transportador da rota Matola C – Baixa, antevê mais um dia de avultados prejuízos. Nos dias normais, Magaia leva entre cinco e dez minutos para angariar passageiros, mas hoje ficou mais de meia – hora na terminal da Baixa.

“O nosso patrão ignorou o anúncio da paralisação das actividades, mas não havia passageiros. Não é fácil trabalhar nestas condições. Infelizmente, será mais um dia em que vamos ter muitos prejuízos. As pessoas ficaram em casa por medo de serem baleadas pela polícia. Espero que ao longo do dia as coisas mudem porque se continuarem assim teremos problemas para fechar a receita e o do dinheiro do combustível”, disse Xavier Magaia para depois um outro transportador que se identificou por Freddy declarar que não tem outra opção a não ser levar o carro para o parque.

“é deveras difícil trabalhar nestas condições. Não há passageiros. As pessoas ficaram em casa por medo das manifestações. Perante este cenário não temos outra opção a não ser arrumar o carro porque no final do dia o patrão não vai querer ouvir desculpas. Acredito que amanhã o cenário vai se repetir, por isso, vamos ficar em casa. Como moçambicano espero que haja alguma mudança depois destas manifestações, o nosso país tem todo para dar certo, mas devem ser governado por pessoas comprometidas com as causas do povo”.

Escolas encerradas e mais prejuízos para o sector informal

Mesmo com o anúncio de mais um “fica em casa”, Amelia Matsinhe fez-se ao Mercado do Povo, arredores da Cidade de Maputo, para vender hortícolas. Em conversa com o Evidencias, Matsinhe declarou que não pode ficar em casa porque terá o que comer.

“Ninguém está feliz com a actual situação económica e social do país. A manifestação é legítima porque todos queremos mudanças. No entanto, é prejudicial para nós que vivemos na base do comércio informal, por isso, estou aqui para vender para colocar o pão na mesa. Sou viúva e os meus filhos dependem deste negócio para comer. Há sempre receios de violência tal como aconteceu na segunda-feira em alguns pontos do país, porém, estamos aqui à procura de pão”, declarou a fonte.

No mercado do Fajardo, Silva Mangue mostrou-se arrependido por ter saído de casa, uma vez que até as 9 horas não tinha recebido nenhum cliente.

“Tinha informações sobre a manifestação pacífica, mas não acreditava que seria neste sentido. As pessoas ficaram mesmo em casa e não temos clientes. As senhoras que habitualmente vem comprar frutas para revender ainda não apareceram. Em algum momento estou arrependido por ter saído de casa. Se o cenário assim continuar até as 12 horas terei que voltar a casa porque há relatos de que haverá escassez de transportes no final do dia”, declarou a fonte.

Se por um lado, o grosso dos estabelecimentos comerciais estão encerrados por temores de vandalização durante manifestação. Por outro, as escolas estão às moscas. A Escola Secundária Armando Guebuza, arredores da Cidade de Maputo, encontra-se encerrada.

Segundo o guarda daquele estabelecimento de ensino que ostenta o nome do antigo presidente da República, os alunos receberam ordem para ficarem em casa nos dias 24 e 25 do corrente mês, sendo que o regresso está previsto para segunda-feira, 28 de Outubro.

Tal como na Escola Secundária Armando Guebuza, na Escola Eduardo Mondlane receberam ordens para ficarem em casa.

No Município da Matola, província de Maputo, todas as escolas encontram-se encerradas. Mesmo sem nenhum anúncio oficial, os alunos decidiram ficar em casa.

Refira-se que na greve que teve lugar no dia 21 de Outubro, segundo a Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA), o sector informal foi o mais afectado pela paralisação parcial das actividades em todo território nacional.

“De forma preliminar a paralisação de actividades de actividade económica pode ter provocado uma perda de mais de 1,4 mil milhões de Meticais sem contar com danos indirectos. Nestas perdas, sobressai o impacto sobre o sector informal, que viu a sua actividade paralisada acima de 90%. Os prejuízos económicos e sociais para a classe trabalhadora e suas famílias são inquantificáveis, numa altura em que o país se debate com a problemática de desemprego acima de 18%, sendo os jovens os mais afectados”, observou a CTA.

Em relação à greve em curso, o sector privado instou todas as forças políticas e candidatos Sindicatos e servidores ao cumprimento do dever de considerarem outras formas de pressão e de reivindicação que não provoquem impactos tão negativos na vida da população.

“É necessário buscar soluções que respeitem os direitos dos trabalhadores, mas também levem em consideração o bem-estar coletivo e a necessidade de serviços públicos e privados eficientes e acessíveis. Instamos as instituições do Estado a agirem, nos termos da lei e das suas atribuições, no sentido de assegurar a lei, ordem e tranquilidade públicas, usando de todos os meios ao seu alcance para proteger os interesses económicos nacionais, públicos e privados, e a assegurarem condições para o normal funcionamento da nossa economia”.

 

Promo������o

Facebook Comments

Tagged

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *