Share this
Depois de meses de espera sem obter autorização e certificação para voar em Moçambique, a companhia aérea sul-africana de baixo custo FastJet, parceira estratégica da Solenta Aviation, iniciou a retirada das suas aeronaves do País. Pelo menos um avião já foi deslocado para o Zimbabué, e fontes do sector afirmam que outros poderão seguir o mesmo destino, sinalizando uma possível desistência da operação moçambicana.
Evidências
A companhia aguardava, sem sucesso, a emissão da autorização pelas autoridades de aviação civil, um processo que se arrastou por um período considerável e que inviabilizou o arranque das operações.
Durante este tempo, a Solenta Aviation manteve três aeronaves Embraers 145, devidamente pintadas com as cores da FastJet, estacionadas em Maputo e investiu cerca de dois milhões de dólares em deslocação de equipamentos e formação de pessoal, contudo, o processo prolongou-se sem explicações públicas concretas, deixando a companhia numa posição de impasse operacional e financeiro.
A expectativa era de que a parceria com a FastJet permitisse aumentar a oferta de voos domésticos, num momento em que o transporte aéreo em Moçambique enfrenta limitações de conectividade e preços elevados. Contudo, a ausência da “certificação competente” obrigatória frustrou as ambições da transportadora, ao que tudo indica.
O futuro da Solenta Aviation em Moçambique permanece incerto. Enquanto retira gradualmente as aeronaves, fontes do mercado sugerem que a empresa avalia concentrar os seus recursos em mercados vizinhos, como Zimbabué e África do Sul, onde já possui operações consolidadas.
Para os analistas, o episódio lança luz sobre a necessidade de maior clareza e eficiência nos processos de licenciamento do sector aéreo nacional, que, segundo eles, podem afastar potenciais investidores e limitar a competitividade do transporte aéreo no país.
A Autoridade de Aviação Civil de Moçambique não se pronunciou oficialmente sobre as razões da demora no licenciamento. Nos bastidores, circulam hipóteses que vão desde exigências burocráticas complexas até eventuais resistências dos sectores que protegem o monopólio da LAM, receosos de perder quota de mercado.
Para especialistas, este caso expõe fragilidades na previsibilidade e transparência dos processos regulatórios do setor. A incerteza, argumentam, pode afastar potenciais operadores e limitar o desenvolvimento do transporte aéreo no país.
Enquanto isso, a Solenta Aviation parece reorientar a sua estratégia para mercados vizinhos, como Zimbabué e África do Sul, onde já possui operações certificadas e lucrativas.



Facebook Comments