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As autoridades portuguesas confirmaram, esta sexta-feira, a tese de suicídio apresentada pelo Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC) no caso da morte do cidadão português ocorrida no Hotel Polana, em Maputo. No entanto, a missão conjunta não prestou esclarecimentos detalhados sobre a sequência dos golpes no corpo da vítima, incluindo ferimentos na coxa, no peito (próximo ao coração), na garganta e os cortes nos pulsos relatados pelas autoridades moçambicanas. Trata-se de aspectos que continuam a gerar dúvidas e debate na opinião pública moçambicana e portuguesa.
A confirmação foi feita após o trabalho conjunto entre a Polícia Judiciária de Portugal, o Instituto Nacional de Medicina Legal e Ciências Forenses e as autoridades moçambicanas, no âmbito da cooperação policial e judiciária entre os dois países, após dúvidas que se seguiram à conferência de imprensa do SERNIC.
Em conferência de imprensa, as autoridades indicaram que os exames médico-legais, toxicológicos e de ADN reforçam a conclusão de suicídio, afastando a hipótese de homicídio ou envolvimento de terceiros.
O inspector da Polícia Judiciária portuguesa, Santos Martins, destacou que os resultados primeiramente apresentados pelas autoridades moçambicanas, caracterizando-os como rigorosos.
“As conclusões alcançadas pelo SERNIC, pelo Instituto de Medicina Legal, pelo Hospital Central de Maputo, pela Polícia Judiciária de Portugal e pelo Instituto Nacional de Medicina Legal de Portugal apontam, de forma fundamentada, para uma causa de morte suicida, resultado de um esforço técnico, científico e rigoroso, assente numa análise exaustiva das provas, contribuindo assim para a realização da justiça”, explicou.
No entanto, contrariamente às informações preliminares divulgadas pelo SERNIC cerca de 24 horas após a ocorrência, desta vez as autoridades não apresentaram uma reconstrução técnica detalhada da dinâmica dos ferimentos, nomeadamente: A ordem dos golpes na coxa, no peito e garganta; a relação entre esses ferimentos e os cortes nos pulsos; ou qualquer explicação médico-legal sobre a capacidade física da vítima para infligir múltiplas lesões graves a si própria.
A ausência desses esclarecimentos técnicos tem sido apontada por sectores da sociedade, comentadores e utilizadores das redes sociais como um dos principais factores que alimentam o cepticismo em relação à versão oficial.
Segundo as autoridades, os exames não identificaram sinais de luta, ferimentos de defesa ou perfis genéticos de terceiros na arma branca, reforçando a tese de que não houve intervenção externa.
Entretanto, a única novidade em relação às informações preliminares divulgadas pelo SERNIC refere-se ao local do óbito, uma casa de banho pública do Hotel Polana que, estaria, segundo os investigadores, trancada por dentro.
De acordo com o director geral do SERNIC, Ilídio Miguel, o suicídio não aconteceu na casa de banho de um quarto de hotel como chegou-se a especular.
“Queria vincar que não foi na casa de banho de um quarto de hotel, mas sim numa casa de banho pública do Hotel Polana, onde a vítima entrou e se trancou por dentro”, esclareceu.
O SERNIC voltou a sublinhar que os resultados apresentados de forma imediata não constituíram precipitação, mas resultaram de um esforço orientado para a obtenção de um resultado material sustentado.



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