SERNIC Abate dois raptores e desmantela rede ligada a “Small Boy” em Maputo

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O Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC) confirmou esta quarta-feira (18), em Maputo, a morte de dois presumíveis raptores durante uma operação que visava travar a tentativa de sequestro de um empresário, proprietário da Ferragem de Choupal. A corporação apresentou ainda dois detidos considerados altamente perigosos, entre eles Armando Virgínio Timba, conhecido por “Small Boy”, apontado como chefe de operações de uma rede responsável por mais de 15 raptos e roubos à mão armada nas cidades de Maputo e Matola.

Segundo o porta-voz do SERNIC, Hilário Lole, os factos remontam ao dia 12 de Fevereiro, quando operativos do SERNIC e da PRM estavam posicionados nas imediações do local onde deveria ocorrer o rapto.

“Os operativos do SERNIC e da PRM, que estavam posicionados nas proximidades do local onde devia ocorrer o referido rapto, foram surpreendidos com disparos de armas de fogo efetuados pelos raptores, e em resposta, actuando em legítima defesa, foram alvejados dois raptores que perderam a vida no local”, declarou.

De acordo com Lole, os restantes membros colocaram-se em fuga, desencadeando diligências operativas que culminaram, na madrugada de 13 de Fevereiro, com a captura de Armando Timba, “Small Boy”, numa clínica da cidade de Maputo, onde recebia cuidados médicos.

“Trata-se de um indivíduo com enorme histórico antecedente na prática de mais de 15 crimes de raptos e roubos por recurso a arma de fogo”, afirmou o porta-voz.

O SERNIC revelou que o suspeito já havia cumprido pena por rapto e, após sair em liberdade em 2019, refugiou-se na África do Sul, de onde passou a recrutar operativos para ações criminosas em território moçambicano. Contra si pendiam mandados de captura e constava da base de dados da instituição como procurado pela Justiça.

Durante interrogatório, segundo o SERNIC, “Small Boy” confessou liderar um grupo composto por dez membros, incluindo dois cidadãos sul-africanos, que após o fracasso da operação fugiram para a África do Sul numa viatura VW Polo.

“Já temos todos os detalhes da sua identificação e vamos partilhá-los com a nossa congénere da República Sul-Africana”, assegurou Hilário Lole.

A investigação revelou ainda ligações antigas à rede de raptos associada ao falecido Momade Sif Abdul Sattar, conhecido por Nini Sattar, e apontou Edson Vumbi, vulgo “Gudu”, alegadamente localizado no reino de eSwatini, como actual mandante das operações criminosas.

“Sobre este já ocorrem diligências muito avançadas com a colaboração das nossas fontes para a sua neutralização”, referiu.

Na mesma madrugada foi igualmente detido Milton Mário Moiano, conhecido por “Bacli”, descrito como “perigoso cadastrado”. Segundo o SERNIC, este participou, em 2024, no assalto à viatura de transporte de valores na agência do BCI, no centro comercial Jumbo, que culminou com a morte de um vigilante.

As autoridades indicam que já monitoravam o grupo semanas antes da sua entrada no país, vinda da África do Sul. O plano incluía, além do rapto do empresário, o assalto a uma viatura de transporte de valores.

“O trabalho de inteligência criminal realizado há semanas permitiu-nos partilhar informação com a PRM, que alertou as empresas de segurança para a tomada de medidas operativas”, explicou Lole.

O SERNIC considera que a captura dos dois suspeitos representa “um ganho significativo para o país nos esforços tendentes a estancar os crimes de rapto” e reiterou que continuará a agir com firmeza.

“Continuamos a monitorá-los e, se persistirem, terão o mesmo fim, que é serem capturados e responsabilizados pelas suas ações criminosas”, advertiu o porta-voz.

A instituição esclareceu ainda que presta apoio às famílias atingidas por balas perdidas durante a operação, sublinhando que a actuação policial ocorreu após os agentes terem sido alvo de disparos.

“O SERNIC reafirma a sua firme determinação em prevenir e impedir a ocorrência de crimes no país, com especial destaque para os raptos e tráfico de drogas, e encoraja a colaboração ativa da sociedade”, concluiu Hilário Lole, agradecendo igualmente o apoio da população do bairro Zona Verde durante a perseguição aos suspeitos.

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