Mulheres africanas, incluindo moçambicanas, foram recrutadas com falsas promessas e levadas para fábricas de drones na Rússia

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Um esquema internacional de tráfico humano está a vitimar mulheres africanas, incluindo um número ainda não revelado de moçambicanas, que foram aliciadas com promessas de emprego legítimo no estrangeiro, mas acabaram por ser exploradas em fábricas de drones na Rússia.

De acordo com fontes ligadas a organizações de defesa dos direitos humanos, o recrutamento ocorre através de intermediários que oferecem vagas em áreas como hotelaria, limpeza industrial e cuidados domésticos. As vítimas, muitas em situação de vulnerabilidade económica, são seduzidas por contratos falsos, passagens pagas e a promessa de salários elevados.

Ao chegarem à Rússia, no entanto, as mulheres têm os passaportes confiscados e são forçadas a trabalhar em linhas de montagem de drones e outros equipamentos militares, em condições insalubres e sob vigilância armada. Algumas relataram jornadas superiores a 14 horas diárias e ausência total de remuneração.

Especialistas afirmam que a prática pode estar ligada ao aumento da procura de drones em zonas de conflito, especialmente devido à guerra na Ucrânia. A indústria militar russa, pressionada por sanções internacionais, estaria a recorrer a mão de obra estrangeira obtida de forma coerciva.

Uma organização moçambicana defensoara dos direitos da Mulher e Justiça disse estar a acompanhar o caso e a recolher denúncias. “É tráfico humano e exploração laboral no seu estado mais grave. Precisamos que o Governo atue de forma urgente e que haja cooperação internacional para repatriar estas mulheres”, afirmou a diretora executiva, Lina Mucavele.

As autoridades moçambicanas ainda não confirmaram oficialmente o número de cidadãs envolvidas, mas uma fonte do Ministério dos Negócios Estrangeiros e Cooperação disse estar a investigar e a trabalhar com as representações diplomáticas na região.

Organizações internacionais, como a ONU Mulheres e a Organização Internacional para as Migrações (OIM), alertam que o caso revela um novo padrão no tráfico de pessoas, em que vítimas de países em desenvolvimento são direcionadas para indústrias estratégicas em países com economias militarizadas.

Enquanto as investigações prosseguem, familiares das mulheres desaparecidas em várias províncias moçambicanas continuam sem respostas, aguardando notícias de seus parentes que partiram em busca de um futuro melhor — e encontraram um cenário de exploração e medo.

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