Salim Omar anuncia recandidatura à liderança da Comunidade Mahometana em eleições marcadas para Novembro

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  • Presidente da agremiação pode concorrer com Nagib Ibrahim
  • Quando confrontado com o Jornal, Nagib Ibrahim não confirma e nem nega as informações que indicam para sua intenção de concorrer

 Num evento marcado pelo simbolismo religioso e político, o presidente em exercício da Comunidade Mahometana, Salim Omar, anunciou oficialmente, na noite da última quarta-feira, a sua intenção de concorrer a um segundo mandato. O anúncio foi feito durante a cerimónia solene que celebrou os 1500 anos do nascimento do Profeta Muhammad, perante uma plateia que incluiu a Primeira-ministra, Benvida Levy, membros do governo, dignitários religiosos e parceiros internacionais.

Evidências

Salim Omar, que também exerce as funções de advogado e docente universitário, justificou a sua decisão, sublinhando que esta resulta de “várias consultas com sócios, governo, organizações da sociedade, parceiros nacionais e internacionais”. O líder defendeu que a continuidade do processo de “reforma e restruturação” da Comunidade e dos seus órgãos é imperativa para o futuro da instituição e dos seus membros.

A ambição de Salim Omar para um novo mandato pode, no entanto, vir a enfrentar um desafio significativo. Fontes próximas aos órgãos sociais da Comunidade indicam que Nagib Ibrahim, actual Secretário do Grupo Desportivo Iquebal, um clube de forte ligação à comunidade, estaria a ponderar entrar na corrida eleitoral, representando uma possível alternativa de liderança.

Quando abordado pelo Jornal Evidências sobre a possibilidade de concorrer e desafiar Salim Omar, Nagib Ibrahim adotou uma postura evasiva. O actual Secretário do Iquebal não aceitou, mas também não negou categoricamente a hipótese, limitando-se a não comentar o assunto, o que alimenta a especulação sobre a sua eventual candidatura nas eleições marcadas para Novembro próximo. Esta possibilidade promete aquecer o debate interno sobre o rumo da Comunidade Mahometana.

O anúncio político foi habilmente enquadrado no cerimonial religioso de grande importância. Salim Omar destacou que a celebração do nascimento do Profeta Muhammad é uma tradição de longa data, sendo este ano “ainda mais especial” por assinalar um marco histórico. “O Islão significa paz, e o Profeta sempre nos ensinou que o diálogo deve ser prioridade e que a preservação da vida humana está acima de tudo”, afirmou Omar, ligando os ensinamentos religiosos ao trabalho da Comunidade na promoção do diálogo e da reconciliação em Moçambique, em colaboração com a sociedade civil e a juventude.

Por sua vez, a Primeira-ministra, Benvida Levy, que se fez representar no evento, ao lado do ministro da Justiça, Assuntos Constitucionais e Religiosos, Mateus Saize, enalteceu o papel da Comunidade Mahometana. Dirigindo-se aos presentes, Benvida Levy encorajou a instituição a cumprir a sua missão de promover “actos de solidariedade, educação moral e espiritual”, como forma de perpetuar o legado do Profeta Muhammad. A presença de tão alta figura do governo foi lida como um sinal de apoio ao trabalho desenvolvido por Salim Omar e pela liderança atual.

À medida que Novembro se aproxima, a Comunidade Mahometana prepara-se para um período de debate e definição do seu futuro. A confirmada recandidatura de Salim Omar e a possibilidade de uma forte oposição de Nagib Ibrahim desenham um cenário eleitoral que poderá reconfigurar a liderança de uma das instituições religiosas mais influentes do país.

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