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- Viajantes e operadores turísticos destacam ganhos do novo sistema de vistos online
O Governo moçambicano acaba de colocar no ar um sistema electrónico de vistos e autorizações de viagem totalmente renovado, numa aposta clara para facilitar a entrada de estrangeiros no país e impulsionar a indústria do turismo. A nova plataforma digital promete acabar com as longas filas e a papelada nos postos fronteiriços, permitindo que o viajante trate de tudo e pague pela internet, antes mesmo de fazer as malas.
Evidências
A ideia é simples: o turista ou homem de negócios submete o pedido, anexa os documentos (com recurso à tecnologia que lê automaticamente o passaporte), paga por um gateway internacional seguro e recebe a autorização em tempo útil. Tudo isto sem sair de casa. À chegada a Moçambique, a entrada é previsível e rápida, algo particularmente valioso para quem viaja de longe ou faz escalas em vários países.
Para o Estado, a iniciativa representa um salto na modernização da gestão de fronteiras. O sistema, implementando o suporte técnico da empresa VFS Global, que custou zero aos cofres públicos, inclui camadas avançadas de segurança e prevenção de fraude, além de permitir a cobrança digital de taxas em tempo real, aumentando a transparência e a previsibilidade das receitas.
O impacto imediato já começa a ser sentido, com os primeiros relatos de experiências de viajantes que dizem que se tornou mais eficiente, com redução de atrasos e erros de processamento.
Operadores turísticos também relatam maior confiança de visitantes internacionais em planear viagens para Moçambique, sobretudo em itinerários multi-países e para turistas de longa distância.
Ao contrário de muitas plataformas-padrão, a solução adoptada por Moçambique prevê actualizações tecnológicas anuais, incorporando as mais recentes normas globais de segurança e melhorias na experiência do utilizador.
Isto significa que o sistema não fica obsoleto e acompanha a evolução dos dispositivos móveis e navegadores, um detalhe crucial num mundo onde a maioria dos viajantes já faz tudo pelo telemóvel.
O ecossistema digital conta ainda com apoio ao cliente multilingue, disponível 24 horas por dia, sete dias por semana, e centros de apoio que funcionam também como montras para promover o destino Moçambique nos principais mercados emissores.
Turismo em curva ascendente

Os números justificam a aposta. Dados recentes indicam que Moçambique recebeu 1,27 milhões de turistas em 2025, um aumento de quase 15 por cento em relação ao ano anterior.
A recuperação pós-pandemia é uma realidade, e a época festiva desse mesmo ano foi particularmente generosa: mais de 311 mil visitantes escolheram o país para passar o Natal e o Ano Novo, superando as projecções iniciais em 2,3 por cento. A procura foi puxada pelo turismo costeiro, eventos de fim de ano e viagens de natureza e safari.
Os primeiros indicadores de adesão ao novo sistema de vistos mostram procura de mercados estratégicos. Entre as primeiras candidaturas, destacam-se viajantes da China, Índia, Estados Unidos, Portugal, França, Alemanha, Reino Unido, Brasil, Itália, Países Baixos e Espanha.
Preço competitivo e integração com o sector
Com uma taxa média de 47,50 dólares norte-americanos (incluindo visto e serviço), Moçambique coloca-se numa posição competitiva no contexto africano, abaixo de destinos como Tanzânia, Uganda ou Gabão, e ao nível do Quénia, que cobra cerca de 32,50 dólares pela sua autorização electrónica. Com base em dados regionais consolidados de viagens; o preço varia conforme a nacionalidade e tipo de visto.
A estratégia passa também por integrar o sistema de vistos no ecossistema global de viagens. Num futuro próximo, será possível iniciar o pedido de visto directamente no momento da reserva de passagens aéreas ou através de plataformas de reservas de hotéis e agências de viagem online.
O objectivo, segundo apurou o Evidências, é colocar Moçambique nos pontos mais influentes do planeamento da viagem, tornando o destino mais visível e acessível.
Com esta modernização, Moçambique não só simplifica a vida a quem visita o país, como envia um sinal claro ao mundo: o país está preparado para receber, está alinhado com as melhores práticas internacionais e quer bancar a transformação digital como alavanca para o crescimento económico.



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