- Eleições na Comunidade Mahometana viram caso de polícia
- Há relatos de intimidações com armas nas anteriores eleições
A liderança da Comunidade Mahometana de Moçambique pode estar nas mãos de gente de índole duvidosa. Pelo menos é isso que sugerem os relatos de alguns membros da lista do conceituado jurista Mohamed Salim Abdul Carim Omar, que começaram a receber ameaças de morte na passada sexta-feira, logo após a deposição da sua candidatura. Segundo o que o Evidências apurou, esta não é a primeira vez que um oponente de Saleem Karim, fora de mandato há mais de dois anos e que concorre a sua própria sucessão, sofre ameaças deste tipo.
Evidências
As eleições da Comunidade Mahometana, agendadas para a próxima sexta-feira, acabam de se transformar num caso de polícia, por conta de uma série de ameaças que membros de uma das listas têm vindo a sofrer, supostamente protagonizadas por elementos com ligações ao actual presidente daquela congregação que concorre a sua própria sucessão.
A situação foi denunciada pelo candidato Mohamed Salim Abdul Carimo Omar, conhecido por Salim Chaya, ele próprio vítima de ameaças, através de chamadas telefónicas e mensagens de textos.
“Logo após o depósito da lista na Secretaria da Comunidade, eu e membros da minha lista fomos alvo de ameaças por via de mensagens e chamadas telefónicas. Este ambiente de intimidação e ameaças fazem parte do modus operandi do grupo que pretende continuar na direcção da Comunidade, sem cumprir com regras de convivência democrática emanadas na Constituição da República de Moçambique. Esta conduta, de características criminosas, já ocorreu em 2010, 2015 e agora em 2022, quando estamos próximos de mais um acto eleitoral. Pretendemos, em nome dos sócios e membros da Comunidade Mahometana, denunciar e repudiar estes actos, e alertar as autoridades competentes para que o processo eleitoral ocorra dentro da lei, ordem e segurança”, denunciou Chaya.
Com vista a salvaguardar a sua integridade e dos membros da sua lista, Chaya submeteu uma queixa-crime junto da 3ª esquadra da PRM da cidade de Maputo, cujo auto foi levantado sob número 380/3ª ESQ/2022, estando neste momento em curso uma investigação com vista a identificação dos autores e sua provável responsabilização.

As mensagens de texto a que o Evidências teve acesso aconselham aos membros a desistirem da sua candidatura, sob risco de serem assassinados. Numa das mensagens escritas por alguém com dificuldades de falar português, o que sugere ser de ascendência paquistanesa, os agressores escrevem:
“You are 64 years old, stop dreaming para ser presidente da comonidade, salim karim esta muito bom naquel lugar. Se ir a frent vamos te matar, eu não conheço salim karim, nunca falei face to face, mas gosto de trabalho dele. Se ires a frent vamos te matar a voçes todos”, extrai-se de um dos screenshots de ameaça a Salim Chanya, que já está em posse das autoridades policiais, que inclusive, segundo informações em nosso poder, já começaram a mapear a proveniência das mesmas, que coincidem grandemente com localizações geográficas associadas ao corredor de drogas.

Um outro aspecto é que as mensagens de ameaça enviadas via Whatsapp vem acompanhadas de um anexo da lista encabeçada por Salim Chanya, submetida na sexta-feira, o que deixa claro que as pessoas que coordenam a acção são bem colocadas no topo da liderança da Comunidade Mahometana, com acesso a informação privilegiada.

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