Nyusi culpa neocolonialismo e instrumentalização de jovens para justificar fracassos

POLÍTICA
  • Num tom duro, Nyusi diz que terrorismo é fruto da nova forma de colonialismo
  • Após falhar meta dos três milhões de empregos PR dá tiros no escuro

Numa altura em que no terreno o terrorismo mostra-se longe do fim apesar de narrativas optimistas do governo, o Presidente da República, Filipe Nyusi, adoptou, esta segunda-feira (08), um tom bastante duro para criticar o que chamou de novas formas de colonialismo que promovem a instabilidade do país e corrompem os jovens, no entanto, o seu discurso não identifica de forma clara os neocolonizadores e mais uma vez os “culpados” são usados para justificar fracassos de um governo que prometeu criar três milhões de empregos e tem sistematicamente apresentado números que não convencem os jovens que semana passada saíram à rua para manifestar-se junto ao Ministério do Trabalho a exigirem vagas de emprego.

Evidências

No decurso da VII Conferência Nacional da Juventude, o Presidente da República, Filipe Nyusi depois de assumir que parte das promessas feitas aos jovens não foram cumpridos pelo Governo, voltou a encher o poço de lamentações, desta vez, culpando aquilo que chamou de novas formas colonização.

No seu discurso bastante incisivo, mas sem revelar nomes, o Presidente da República disse que há algumas nações e grupos que financiam o terrorismo no país e noutras partes do mundo com o fim último de pilhar os recursos e empobrecer os países.

“No nosso país vivemos a situação do terrorismo, criado e financiado por essas forças do mal, aquelas pessoas têm arma (…), financiam como parte dessa teoria de desordem como instrumento político, para resolver o quê? Nós estávamos andar com uma velocidade cruzeiro, muitos projectos estavam a ocorrer em Palma, no mar e na terra, reassentamentos, pescadores de Palma tinha dinheiro porque tinham onde vender, o consumo de ovo estava a chegar diariamente a quase 10 mil e pão. Mas criaram desordem para ver se resolvem o problema deles mas o resultado é o povo moçambicano, são jovens, crianças e mulheres, mães, que não tem rendas, não tem sustento”, referiu.

Sempre sem identificar a quem se refere, Filipe Nyusi prosseguiu dizendo que “o objectivo é perpetuar o sofrimento e a pobreza dos moçambicanos e criar condições para a pilhagem dos nossos recursos, esta é uma nova forma de colonialismo”, destacou.

No que parece ser um recado às nações ocidentais Filipe Nyusi denunciou uma corrente que contraria a vontade de muitos africanos, ao encarrar a África só como instrumento político.

“A linguagem que eles usam ‘Africa Works: Disorder as Political Instrument’, isto visa nitidamente a promoção de desordem e a instabilidade dos nossos países para ser fácil continuar a explorar os seus recursos tornando-os cada vez mais pobres. Não há desordem lá de onde vem as pessoas que nos educam assim, não se destrói nada”, criticou.

No entender do Estadista moçambicano, os referidos grupos usam o dinheiro para manipular a consciência dos jovens, para aderirem a desordem e perpetuarem actos contra a sua própria pátria, contra as suas próprias comunidades e nunca contra as nações de quem financial.

“O objectivo é perpetuar o sofrimento e a pobreza dos moçambicanos enquanto eles estão a criar condições para a pilhagem dos nossos recursos, esta é uma nova forma de colonialismo. Infelizmente içamos a bandeira, dissemos que estamos independentes, então “ok” deixa lá eles com bandeira, vão cantando o hino deles, eles ficam presidentes e ministros, mas nós vamos arranjar maneira de ganhar dinheiro com essa desordem. E fala lá com os jovens deles, são muito activos, jovens é que vão fazer essa confusão”, argumentou o estadista moçambicano.

Na sua alocução, Filipe Nyusi mostrou-se contra as manifestações, que tem os jovens como principais executores, denunciando que há quem paga para que estes se façam à rua para fazer greve.

“Porque alguém zangou ou foi dito zanga lá, ele não sabe porque está a zangar e queima pneu, aquele alcatrão com fogo abre buraco, resolveu o quê? Ele já foi, lhe deu aquele 5 mil ou 3 e foi, e você aparece um carro vira, aparece chapa que tem que andar por ali fura pneu todos os dias e murmuramos”, questionou o Chefe de Estado, ignorando que as recorrentes ameaças de manifestações podem ter origem em sentimentos de insatisfação pelo fracasso de algumas políticas do governo.

Recorde-se que uma das principais bandeiras da campanha eleitoral que reconduziu Filipe Nyusi ao segundo mandato foi a promessa de criação de mais de três milhões de empregos, algo que está muito longe de ser alcançado. Na semana passada, um medidor da temperatura do desemprego no país foi a greve repentina de um grupo composto por mais de mil jovens que marcharam até ao Ministério do Trabalho para manifestarem-se contra a falta de emprego.

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