- Ecos do Conselho Nacional da Renamo que elegeu a nova secretária-geral
- Ossufo Momade acusa o Governo de não ter vontade de prosseguir com o DDR
Discursando na abertura da IV sessão ordinária do Conselho Nacional, o presidente da Renamo, Ossufo Momade, exigiu o cumprimento integral dos acordos ratificados aquando da assinatura do DDR em Maputo, na presença dos moçambicanos e da comunidade internacional, por julgar haver falta de vontade do governo em prosseguir com o processo. Num discurso muito incisivo, Momade lançou suspeitas em relação aos acordos assinados entre o Presidente da República, Filipe Nyisi, e o seu homólogo ruandês, Paul Kagamé, para a vinda das tropas daquele país amigo, por desconfiar que pode ser fertilizante para comportamentos desviantes.
Evidências
Muitas vezes acusado de ser apático pelos seus colegionários, no que diz respeito ao DDR, Ossufo Momade denunciou, esta segunda-feira, que os antigos guerrilheiros da Renamo ora desmobilizados continuam aguardando pela fixação das pensões, mas o governo tem se remetido ao “silêncio maquiavélico”, mesmo diante da constante pressão do seu partido com vista a resolução deste caso.
“Os 10 primeiros oficiais ainda aguardam, sem justificação, a sua integração no Comando Geral da Polícia, segundo o acordado”, denunciou Momade, para depois dizer que, como sinal do comprometimento do seu partido, a Renamo colaborou para a desmobilização de 4001 dos 5254 combatentes previstos, o que corresponde cerca de 80%, mas se mostra inconformado porque apenas 46 combatentes foram enquadrados nas fileiras da Polícia da República de Moçambique.
Avançou ainda que foi recentemente submetida ao governo uma lista de 100 oficiais que deverão ser integrados nas Forças de Defesa e Segurança (FDS), mas ainda não aconteceu.
“Sabemos que todas estas artimanhas e manobras dilatórias têm o objectivo de nos distrair e fazer-nos perder a paciência para depois nos atribuir a culpa dos fracassos da governação. Cientes disso, não iremos embarcar nessa onda, nem iremos demonstrar musculatura e posição de força, apesar de não nos faltar, em respeito aos moçambicanos e à nossa palavra de honra”, ressaltou o general.
Muitas vezes acusado de dialogar sem envolver outros actores-chave da sociedade, hoje, Ossufo Momade quer “o envolvimento de todos actores da sociedade na luta contra a postura inaceitável e silêncio preocupante que o Governo tem demonstrado neste processo de DDR”.
No que diz respeito ao terrorismo em Cabo Delgado, Momade apela às Forças de Defesa e Segurança para adoptarem medidas eficazes e assertivas com vista a acabarem com a guerra na província de Cabo Delgado e critica o Presidente da República.
“Pela sua própria mão contratou as forças armadas ruandesas e da SADC sem se pronunciar publicamente e muito menos respeitar a Constituição da República, sendo uma incógnita o preço que os moçambicanos estão a pagar a essas forças estrangeiras”, questionou, apontando que a “postura do Chefe do Estado é autêntico fertilizante de promoção de comportamentos desviantes e reprováveis dentro das próprias Forças de Defesa e Segurança”.

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