- De doação para reabilitação de um edifício destinado ao SERNIC
- Contratou-se empreiteiro, mas este nunca foi visto em Vilankulo
- No local da obra só foi visto um empreiteiro local com dois baldes de tinta
O administrador de Vilankulo, Edmundo Galiza Matos Júnior, está a ser acusado de um suposto desvio de aplicação de um total de 200 mil meticais, resultantes de um donativo de um empresário local, que se destinava à reabilitação de uma casa onde deveria estar a funcionar o Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC) ao nível daquele ponto do país. O dinheiro foi desembolsado em Agosto do ano em curso em duas tranches, mas até agora as obras que deviam durar três meses continuam estagnadas. No entanto, em conversa telefónica com o jornal, Galiza Matos Júnior garantiu conhecer o assunto, mas limitou-se a ameaçar o jornalista e dizer que está a ser vítima de perseguição por parte de pessoas bem identificadas. Para mais esclarecimento remeteu-nos ao empresário lesado.
Jossias Sixpence
Tudo começa em Julho do presente ano, quando após tomar conhecimento que o SERNIC tinha sido concedido um terreno mas não tinha condições para erguer a sua sede no distrito de Vilankulo, um empresário local, de nome Johan Àkesson, do ramo de construção e fornecimento de equipamento eléctrico, prontificou-se a apoiar a corporação com um donativo de quatro mil blocos para a construção da infra-estrutura.
Sucede que como de praxe a informação foi partilhada com o administrador de Vilankulo, Edmundo Galiza Matos Júnior, que de pronto assumiu as rédeas das negociações com o empresário.
Como tal, Galiza Matos Júnior identificou um edifício abandonado, anexo à casa de hospedes a nível daquele ponto do país, e solicitou que em vez de oferecer quatro mil blocos, o empresário apoiasse as autoridades locais na reabilitação daquela infra-estrutura que seria alocada ao SERNIC, sem precisar erguer um edifício de raiz.
E porque a proposta vem do topo e podia poupar tempo e recursos, a direcção do SERNIC em Vilankulo concordou e em pouco tempo foi enviada ao empresário uma cotação no valor de 200 mil meticais, que cobriria todo o trabalho de acabamentos do edifício, que consistia na pintura em primeira e segunda mão, colocação de vidros nas janelas e trabalhos conclusivos de canalização dos drenos e fossas.
Preocupado em ajudar, o jovem empresário Johan Akson desembolsou o valor em duas tranches de 100 mil meticais cada (09.09 2022 e 18.08.2022) a favor da empresa Muandula construções LDA, tal como ilustram as cópias dos borderoux na posse do Evidências. A obra, segundo o plano de actividades, devia ter sido entregue em três meses, mas volvidos quase cinco meses pouco foi feito.
Segundo apurou o Evidências, do trabalho previsto, nomeadamente fornecimento de tinta PVC e pintura das paredes, incluindo a parte exterior dos guarda chapins, com primeira e segunda mão; fornecimento e pintura com tinta esmalte das portas e rodapés; e fornecimento e montagem de vidros no edifício, apenas a primeira actividade é que foi executada.
O Evidências esteve no local e verificou que houve semente uma intervenção paliativa no edifício pintado a branco. As portas e janelas continuavam sem nenhuma pintura e no lugar de vidros está ainda colocado papelão reaproveitado de caixas.
Contratou-se um empreiteiro, mas apenas se viu um jovem com dois baldes de tinta

Segundo fontes locais, apesar da obra ter sido adjudicada à empresa Muendula Construções Lda, no local apenas foi visto um jovem pintor que reside no bairro do aeroporto, com dois baldes de tinta com que pintou a parte exterior e interior em duas mãos e nada mais, o que segundo cálculos de uma fonte especializada não chega a ultrapassar 50 mil meticais, mesmo sendo tomado por excesso.
Esta situação está a levantar alguma estranheza ao nível de Vilankulo, com algumas vozes a suspeitarem que o dinheiro pode ter sido desviado e, há até, quem traça alguma proximidade entre o administrador e o empreiteiro, seleccionado por este a dedo, sem nenhum concurso público.
Reforça esta tese o facto de esta empresa ser oriunda de Maputo, local de precedência de Galiza Matos Júnior, em detrimento de empreiteiros locais com capacidade comprovada. Aliás, foi o próprio administrador quem solicitou a cotação em nome do benfeitor e enviou a este.
O Evidências esteve no terreno a apurar e durante o processo de reabilitação não houve nenhum empreiteiro alocado para fazer o trabalho como inicialmente foi acordado, e até aqui nada justifica os 200 mil do donativo do empresário. Neste momento, o Serviço Nacional de Investigação Criminal em Vilanculo continua a trabalhar num pequeno compartimento anexo ao Comando da Distrital da Polícia da República de Moçambique.

Facebook Comments