O porta-voz da Polícia da República de Moçambique (PRM), Leonel Muchina confirmou hoje, 13 de Janeiro, que três indivíduos até o momento desconhecidos, assassinaram ontem uma mulher de 60 anos chamada Rosa Natália de Jesus, dentro de um salão de beleza localizado na Av. Emília Daússe, cidade de Maputo.
Os autores do horripilante crime não deram chance alguma de sobrevivência à vítima pois tiraram a sua vida atirando a queima roupa no peito e na cabeça. Tudo isso em plena luz do dia e diante de todos clientes que se encontravam no local.
Testemunhas oculares dizem que dois homens desceram duma pickup sem chapa de matrícula e não estavam encapuzados ou disfarçados, ou seja, o que significa que não temiam nada e estavam firmes do que iam lá fazer. O modus operandi dos homens remetia a agentes da PRM à paisana. “Entraram no estabelecimento e abateram a vítima a sangue frio, pareciam profissionais; saíram do local a pé como se nada tivesse acontecido” diziam as testemunhas.
Ironia ou não, próximo da cena do crime existem câmeras de vigilância que possivelmente terão captado os rostos dos meliantes, mas a polícia recusou fornecer qualquer tipo de informações sobre isso.
Perguntado se as informações postas a circular nas redes sociais sobre a malograda ser ou não mãe de um jovem de Edson Vombe, suposto sequestrador e cadastrado da polícia, Leonel Muchina disse “nós nos reservamos ao direito de não comentar sobre estes assuntos das redes sociais”.
Ademais, levanta-se a hipótese de se tratar de uma execução encomendada ou talvez de uma “queima de arquivo”, sabe-se lá quem estaria interessado em apagar tais informações que o arquivo continha.
Mas quem era a senhora?
Rosa Natália de Jesus era mãe de cinco filhos e era casada com um antigo combatente chamado Namarroi que virou empresário no contexto das privatizações.
A sra. Rosa era realmente mãe de Edson Vombe, que cumpriu até 2017 metade de uma pena por ter sido condenado por associação para delinquir. O caso estava ligado a um rapto na cidade da Matola.
Em 2013, o tribunal não encontrou provas de que seu filho Edson Vombe era mandante e autor moral dos crimes de que era acusado e condenou-o a nove anos de prisão. Quando teve liberdade condicional, Edson foi viver no estrangeiro.
Consta que em 2018, ela foi sequestrada e o seu poderoso marido não pagou resgate e ela foi solta depois de algum tempo.
Mas depois da detenção de Esmael Nangy no sábado último na África do Sul, o assassinato da senhora Namarroi pode ser outro indicador de que a Polícia está a tentar mexer-se para mostrar serviço, depois de ter sido muito criticada pela sua inoperância na investigação de crimes de rapto.
Recorde-se que há menos de duas semanas um empresário raptado foi encontrado morto, gerando uma enorme repulsa na sociedade e o SERNIC, continua sendo chamada de seio operacional de sequestros.

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