Académicos alertam para tendência de substituição de conhecimento técnico pelo “lambebotismo”

POLÍTICA

Académicos ao nível da cidade da Beira, província de Sofala, mostram-se preocupados com a institucionalização do clientelismo, influência política e “lambebotismo” para a integração dos jovens e adultos em cargos relevantes e de tomada de decisão, em clara substituição da meritocracia, conhecimento técnico e grau académico.

Jossias Sixpence – Beira

Durante a pascoa Inter – Universitária, um evento organizado pela Universidade Católica e que se debruçou sobre a pertinência da fraternidade em tempos de crise humanitária, vários académicos das instituições do ensino superior sediadas na província de Sofala lamentaram a degradação dos valores morais na sociedade.

Para os académicos, os jovens herdaram a intolerância e a tendência de encurralar a sociedade para não ter a liberdade de pensamento e culpam o Governo por tentar lançar a culpa aos jovens pelo fracasso da governação e pela degradação de valores na actual sociedade.

“Fomos empurrados pela globalização pelo ocidente com a violência da tecnologia, os jovens perderam o passado que os seus antepassados abraçavam e isto tem influenciado para que tenhamos jovens mais espectadores no presente ao invés de jovens que tomam a dianteira. Actualmente, os jovens são mais consumistas do que realizadores de ideias próprias, eles são conduzidos a acreditar naquilo que lhes dizem ou que lhes impõem a ser. E o lambebotismo tende a substituir conhecimento técnico e os graus adquiridos em diversos ramos de ensino para atender agendas impostas por ordens superior”, disse o académico Nelson Moda, que foi um dos oradores.

Por seu turno, Pedrito Cambrão defendeu que se Moçambique pretende trilhar um caminho do desenvolvimento deve deixar de apostar no tráfico de influências ou familiaridade nos processos de contratação, uma vez que estes factores podem colocar pessoas incompetentes em cargos relevantes.

“As nossas instituições ainda não estão preparadas para colocar pessoas competentes em lugares certos. Sabemos que muitas vezes tem contratado aqueles que tem influências, há nepotismo, familiaridade e tráfico de influências e este é o grande desafio em formar pessoas e colocar as pessoas certas em lugares certos”, afirmou Cambrão.

Na qualidade de vice-reitor da Universidade Católica, Armindo Tambo, declarou que o evento tinha em vista auxiliar a sociedade na reflexão sobre o papel social que a universidade deve desempenhar enquanto agencia cognitiva, instituindo-se como uma instância crítica e transformadora da sociedade.

Prosseguindo, Tambo explicou que a iniciativa é inspirada nos princípios de fraternidade, dialogo, paz e parceria internacional com vista a prover um desenvolvimento sustentável e inclusivo, mediante a investigação em contexto que procure dar respostas as problemáticas da sociedade contemporânea,

“Para nós este momento é único, é um momento de esperança, um momento de crescimento, de partilha de experiências e ideias entre instituições de ensino superior. Consideramos que as universidades constituem a sede primária da investigação científica para avanço dos conhecimentos e da sociedade, desempenhando um papel determinante no desenvolvimento económico, social e cultural”, disse o vice- reitor da Universidade Católica.

Promo������o

Facebook Comments