- Primeira exportação poderá acontecer só em 2029 ao invés de 2027
Apesar do restabelecimento da ordem e tranquilidade na região onde se localiza o projecto da TotalEnergies, o reinício das actividades, interrompidas em 2021, continua uma incógnita e tudo aponta que não será no reinado de Filipe Nyusi que a multinacional vai regressar a Cabo Delgado. Entretanto, o CEO da TotalEnergies garantiu, recentemente, que já estão assegurados 14 mil milhões de dólares, ou seja, 80% do pacote de financiamento para sustentar o reinício das actividades de exploração e produção de gás natural liquefeito (GNL). No entanto, embora não sejam oficiais, há rumores de que a TotalEnergies adiou para o primeiro trimestre de 2029 a primeira exportação de GNL. Aliás, recentemente, o Chefe de Estado reconheceu que a TotalEnergies só vai negociar a sua retoma com o novo Governo.
Duarte Sitoe
O Presidente da República, Filipe Nyusi, assegurou, recentemente, que a retoma do projecto de exploração de gás natural na Área 1 da bacia do Rovuma é uma certeza, tendo garantido que o país “já criou as condições necessárias para que a TotalEnergies retome o projecto”.
Contra-atacando a mais recente pressão do Chefe de Estado, a multinacional francesa, que lidera o bloco da Área 1, localizado em águas profundas na bacia do Rovuma, tornou público que assegurou 80% do pacote do financiamento para o projecto considerado até aqui o maior investimento da história do continente, ou seja, 14 mil milhões de dólares.
Olhando para o actual contexto da província de Cabo Delgado, o CEO da TotalEnergies, Patrick Pouyanné, assegurou que houve progressos na segurança, tendo ao mesmo tempo garantido que os financiadores confirmaram a sua disponibilidade para avançar com o projecto.
“Perto de 80% do pacote de financiamento de 14 mil milhões de dólares que sustenta o projecto foi confirmado pelos financiadores. Estamos à espera de luz verde de três agências de crédito, algumas estão em países ocidentais onde as regras sobre o gás mudaram. Por isso, assim que tudo estiver em vigor, avançaremos”, explicou Pouyanné, para depois revelar que se irá reunir com o novo inquilino da Ponta Vermelha, que será eleito nas eleições de 09 de Outubro corrente, para debater alguns detalhes do projecto de GNL.
Prazo para primeira exportação adiado de 2027 para 2029
Nas perspectivas da TotalEnergies a primeira exportação de GNL do seu projecto na Bacia do Rovuma teria lugar no primeiro trimestre de 2027. Contudo, segundo a Global LNG Info, a primeira exportação foi adiada para o primeiro trimestre de 2029.
Se por um lado, a Global LNG Info lembra que em 2023 a TotalEnergies francesa esperava que a Moçambique LNG, juntamente com seus outros projectos envolvidos, ou seja, Qatar NFE/NFS, Papua LNG e Rio Grande LNG, iniciassem a produção de GNL até 2028.
Por outro, referiu que a multinacional francesa reviu em alta o custo de engenharia, aquisição e construção (EPC) das instalações de tratamento de gás e liquefação do projecto para mais de 10 bilhões de dólares, enquanto o custo tinha sido estimado, inicialmente, entre 8 bilhões e 9 bilhões de dólares.
Ainda de acordo com a fonte que temos vindo a citar, a TotalEnergies quer ter “uma visão clara dos custos do projecto após uma interrupção de mais de dois anos – que deve ser mantida e não aumentada”.
De referir que o projecto estava 21% concluído, pouco antes da suspensão, em Março de 2021, na sequência de um ataque terrorista.

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