Actual Comissão Política sobreviveu à primeira investida, mas pode não ver o sol de Abril

DESTAQUE POLÍTICA
  • No dia em que Agostinho Mondlane quase pegou o elefante pelo marfim
  • Frelimo adiou eleição de membros do secretariado e da nova Comissão Política para Março
  • Comité Central, com A. Mondlane como rebenta minas, tentou forçar eleição de uma nova CP

A III Sessão Extraordinária do Comité Central do Partido Frelimo, que teve lugar na passada sexta-feira, tinha em vista a eleição do novo presidente do partido, secretário-geral e membros do secretariado. Entretanto, o último ponto de agenda, neste caso a eleição dos membros do secretariado, acabou sendo adiada para a sessão ordinária do partido prevista para Março próximo, altura em que também deverá ser eleita uma nova Comissão Política.

Evidências

A reunião magna do partido Frelimo terminou, esta sexta-feira, sem desfecho em relação a eleição dos membros do secretariado, depois de um aceso debate que determinou o seu adiamento para Março próximo.

Embora não fizesse parte da agenda desta sessão, alguns camaradas acabaram exigindo a inclusão da eleição de novos membros da Comissão Política, um dos pontos cuja discussão foi também adiada para sessão de Março.

Recorde-se que foi Agostinho Mondlane quem propôs que a eleição de novos membros da Comissão Política também devia constar da agenda.

Quando Filipe Nyusi pediu que os membros do comité central votassem a agenda de trabalho, precisamente quando perguntava quem votava contra; Agostinho Mondlane levantou a mão e após ser dado a palavra sugeriu que para além do já previsto, se votasse também numa nova Comissão Política.

“Quando olho para esta proposta de agenda, vejo a eleição do Presidente do partido, aí podemos entender, depois temos a eleição do secretário-geral, também podemos entender e depois a membros do secretariado do Comité Central. O que gostaria de obter do nosso presídio é a explicação do porquê dos órgãos centrais, não termos aqui a Comissão politica nessa eleição”, indagou Mondlane.

Logo após a sua intervenção, a sala ficou completamente gelada por alguns instantes e o ainda presidente do partido quebrou o silêncio para dizer que era uma ideia ‘’pacífica’’ e logo de seguida a agenda foi aprovada por unanimidade.

Acredita-se que na sessão de Março, já com plenos poderes, Chapo irá remodelar o partido à sua imagem devendo, por isso, acolher a discussão sobre a eleição de uma nova Comissão Política, por ser um órgão que, dentre várias atribuições, coordena e orienta a acção do Governo da FRELIMO e da sua Bancada Parlamentar na Assembleia da República.

A actual Comissão Política, moldada à imagem de Filipe Nyusi, não goza de boa simpatia diante dos membros do Comité Central por ter sido várias vezes visto como ditador, ao impor decisões controversas e ser pouco aberto a acolher opiniões daquele que, teoricamente, é o órgão mais importante no espaço entre os congressos.

No entanto, corredores ligados ao último incumbente tem estado a promover a narrativa de que a eleição dos membros da Comissão Política, sugerida por Agostinho Mondlane, é tão somente para preenchimento de vagas deixadas pela morte de Manuel Tomé e Fernando Faustino. Todavia, em toda sua extensão, compete ao Comité Central definir a composição da Comissão Política e eleger os seus membros.

De resto, a sessão de sexta-feira apenas confirmou a indicação de Daniel Chapo para o cargo de presidente do partido, após renúncia de Filipe Nyusi, e a eleição de Chakil Aboobakar como secretário-geral, num pleito em que voltou a prevalecer a ditadura das candidaturas únicas, uma marca registada do consulado de Filipe Nyusi e Roque Silva.

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