Sobre o fim das Operações de Charme e outras de roubo

EDITORIAL

Depois de enormes prejuízos, cujos efeitos irão se fazer sentir por anos, as Linhas Aéreas de Moçambique suspenderam voos de Maputo para Lisboa, Harare e Lusaka por não estarem a ser rentáveis. A medida, embora tardia, ilustra uma certa recuperação de consciência da nova administração, que identificou e atacou pelo menos a parte dos problemas, apesar de também ser uma Administração assentada num chão preparado por Mateus Magala, o responsável por acelerar a falência da empresa, ao apadrinhar lobistas, ornando-os pelas suas mentiras, enquanto saqueavam em seu nome, camuflando o roubo em operações de charme.

Era previsível que qualquer administração com a mínima consciência da realidade da empresa, não ia querer se meter em voos continentais, sendo tem limitações nos voos da casa, ainda mais quando são limitações de quase tudo, desde técnicas, materiais até operacionais. A maior novidade está no facto de finalmente termos quantificados os prejuízos, que da boca da mesma LAM, ficámos a saber que estão somados em mais de 21 milhões de dólares desde o seu início. Não temos aqui quantificados os danos à reputação da companhia, que agravou a sua problemática de ser mau pagador para os seus fornecedores.

Já tínhamos os prejuízos, já quantificados, da desastrosa decisão de se mandar dois Embrear 190 num Hangar do Aeroporto de Nairobi, no Quénia, com a justificação de se querer padronizar a frota. Tínhamos igualmente os números, ainda que não da totalidade, da desastrosa decisão de se alugar o cargueiro que, apesar de todas denúncias deste Jornal, a sua devolução só veio a ocorrer ao fim de 12 meses, depois de gastos 71 milhões de Meticais só com o aluguer de um avião que nunca chegou a funcionar.

Infelizmente, da iluminada administração da LAM não veio nada sobre a operação de Maputo – Xai-Xai, que também não passou de operação de charme. Era necessário todo o rastreio das operações lesivas à companhia da bandeira, mesmo que fosse para nos provar que eles têm consciência das mesmas.

Outra infelicidade no meio de tudo isso, reside no facto de existir nessa Administração o rastilho Magala, pessoas contratadas no decurso da restruturação que ficaram depois de se enxovalhar a FMA. O próprio Magala é produto desse rastilho que merecia responder em Tribunal, primeiro, pela mentira comprovada; segundo, por ter apadrinhado lobistas que lesaram a companhia em todos os sentidos. E não há dúvidas de que a restruturação liderada por si foi um roubo na LAM, não se sabendo apenas se estava a mando de alguém ou fazia em nome próprio.  Talvez seja por isso que tenha se indicado o Marcelino Alberto para PCA da empresa, ele é famoso por fazer limpeza por onde Magala passa, foi assim na Electricidade de Moçambique (EDM).

Mas não, nem tudo foi roubo, há casos em que tivemos decisões de charme, aquelas em que foram tomadas por imposições da nomenclatura, como a introdução de operação Xai-Xai -Maputo. Por enquanto, não podemos deixar de olhar as boas decisões e saudá-las pelo facto de não vir de gente confiável. Temos de renovar as esperanças e crer nas mudanças.

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