“Não há nenhum acordo com Venâncio Mondlane e onde não há acordo não há nada a cumprir”

DESTAQUE POLÍTICA
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  • Afinal, onde está a verdade?

 Na sua recente passagem por Portugal em visita oficial, o Presidente da República, Daniel Chapo, concedeu uma série de entrevistas a diversos órgãos de comunicação social daquele país, com destaque para a CNN e RTP, onde abordou diversos assuntos da vida do País, com destaque para o processo de pacificação pós-protestos. A uma pergunta sobre que acordo teria firmado com Venâncio Mondlane e o que já foi cumprido, Chapo respondeu de forma surpreendente, referindo que, afinal, “não há nenhum acordo com Venâncio Mondlane e onde não há acordo não há nada a cumprir”. A revelação fez o ex-candidato presidencial reagir de imediato numa entrevista também à CNN, criticando o que chamou de inconsistência (do discurso) e duplicidade de posições.

 Evidências

 As imagens de abraços e sorrisos entre o Presidente da República, Daniel Chapo e o ex-candidato presidencial, Venâncio Mondlane, correu o mundo e as declarações à saída do encontro não deixaram espaço para dúvida, na altura.

Da boca de Venâncio Mondlane ouviram que os dois chegaram a um entendimento, incluindo datas, prazos e pontos focais para a operacionalização das matérias discutidas.

“No meu caso, estava muito preocupado com a questão das pessoas que estão detidas. Era preciso termos uma visão clara, com prazos, de como é que vamos tratar este assunto”, declarou na altura, acrescentando que “tinha sido um encontro positivo e as duas grandes preocupações que nós tinham, acreditava, seriam monitoradas para o beneficio da nossa própria população”.

Mas, afinal, não era bem assim. Na entrevista desta semana à CNN, Daniel Chapo tratou de categorizar o tipo de “sentada” que teve com Mondlane, referindo que se tratou de um “encontro” e não conversações como tinha sido entendido.

“Com Venâncio Mondlane não houve nenhum acordo e onde não há nenhum acordo não há nada a cumprir”, disse Chapo, para depois a uma insistência sobre se houve conversações com Venâncio Mondlane responder de forma categórica que “não houve conversações, houve encontros tendo-se chegado à conclusão de que havia necessidade de pacificar o País e isso realmente aconteceu”, deixando-se de fazer o discurso de ódio e passando a um apelo para a paz nacional.

Para Daniel Chapo, o único acordo que existe é o Diálogo Nacional Inclusivo assinado em Março passado e que está, segundo ele, aberto a todos os moçambicanos, incluindo Venâncio Mondlane.

“Em Moçambique só existe um acordo, que foi assinado com os partidos políticos. O senhor Venâncio Mondlane não tem partido político”, sublinhou, destacando que no diálogo nacional inclusivo todos os moçambicanos são convidados a participar no debate.

Reagindo, Venâncio Mondlane criticou a postura do Chefe do Estado, por negar a existência de qualquer acordo entre ambos. Para Venâncio Mondlane, tal deriva da existência de uma dissonância no partido no poder.

“Se ele diz que não tem acordo, havendo pontos essenciais, que constam do próprio comunicado da Presidência da República, acho estamos a resvalar para o campo da desonestidade intelectual. Eu penso que há algum problema dele a nível do seu partido, de gestão de conflitos e diferenças dentro do partido que externamente, em público, acaba resvalando nesta inconsistência e duplicidade de posições”, sustenta.

À CNN, VM garantiu que “houve acordo, houve consenso”, testemunhado por personalidades “com muita credibilidade em Moçambique”, nomeadamente o bastonário da Ordem dos Advogados, o filósofo Severino Ngoenha, a figura histórica do partido FRELIMO, Óscar Monteiro, entre outros.

“Testemunharam este acto em que nós chegámos a pontos essenciais de acordo, inclusivamente a Presidência da República emitiu comunicados que em parte, de forma sucinta, falavam dos consensos alcançados”, revelou.

Refira-se que na referida entrevista, Daniel Chapo garante que Moçambique está mais estável desde a forte agitação social após as eleições de Outubro de 2024 que se prolongaram durante cerca de três meses, causando centenas de mortos e milhares de feridos e detidos, de acordo com as organizações não-governamentais no terreno. E relativiza.

“Desde 1994, em Moçambique, sempre que terminam as eleições há mortes. A diferença é que de 1994 até 2019 as mortes aconteciam principalmente na zona centro. Isto é, Sofala, Manica, Tete e Zambézia. E sempre morreram pessoas. Portanto, estas não são as únicas eleições, daí a necessidade deste compromisso a que fiz referência. Senão, fica-se com a sensação de que foram as primeiras manifestações violentas, que foram as primeiras mortes, foram os primeiros feridos. Não são. Sempre em Moçambique houve mortes”, sublinhou.

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