Moçambique e Argélia procuram reforçar laços no sector do gás e hidrocarbonetos

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A Argélia, com vasta experiência na indústria do gás e dos hidrocarbonetos, tem estado a trabalhar com Moçambique, através da Empresa Nacional de Hidrocarbonetos (ENH) no reforço da capacidade institucional e técnica. Durante a visita de Daniel Chapo a1 Argélia, estão em perspectiva discussões com o seu homologo Abdelmadjid Tebboune visando o reforço da cooperação energética entre os dois países, unindo a experiência consolidada de Argel no sector do gás e dos hidrocarbonetos ao enorme potencial moçambicano ainda em fase de exploração.

Reginaldo Tchambule, em Argel

Numa altura em que Daniel Chapo se encontra a liderar uma verdadeira ofensiva visando aumentar a contribuição dos megaprojectos no desenvolvimento do País, destacando-se a revisão do pacote legislativo do sector dos recursos naturais e renegociação dos projectos em fase final dos seus contratos, a Argélia apresenta-se como um actor estratégico para Moçambique.

Por isso, durante a visita, a delegação do Chefe de Estado moçambicano, irá manter encontros com actores relevantes do sector de gás e petróleo argelino, os quais já prestam apoio à Empresa Nacional de Hidrocarbonetos (ENH), no quadro da cooperação energética existente.

Não é para menos. A Argélia tem know-how operacional e infraestrutura consolidada na industria de petróleo e gás, além de estar entre os principais fornecedores da Europa. Moçambique, por sua vez, oferece vastos recursos offshore ainda em fase de exploração e consolidação.

A cooperação pode trazer expertise tecnológica e capital para Moçambique, incluindo experiência para o reforço da sua capacidade institucional e negocial com os grandes players mundiais.

Segundo a ministra dos Negócios Estrangeiros e Cooperação, Maria Lucas, a parceria com a Argélia permitirá não só acelerar a transferência de conhecimento e tecnologia, como também abrir portas para novos investimentos no sector energético e logístico.

“A Argélia é uma referência em Oil & Gas. Então viemos aqui para aprender e vai ser muito bom o tete a tete para os dois Chefes de Estados se conhecerem e falarem sobre várias áreas e vermos se conseguimos implementar”, declarou Lucas, reforçando a importância da inclusão da ENH no rol das instituições que acompanham o Presidente da República.

A Argélia é hoje um dos maiores produtores e exportadores de gás natural do mundo. Só em 2023 produziu cerca de 94,7 mil milhões de metros cúbicos, ocupando o 7.º lugar entre os maiores exportadores globais de GNL. Em 2024, exportou 49 mil milhões de metros cúbicos, sendo 35 mil milhões por gasoduto e 14,5 mil milhões na forma liquefeita, consolidando-se como um dos principais fornecedores de energia da Europa.

A aposta argelina é clara: expandir a produção, que deverá crescer 2,5% em 2025, e projetar-se como um actor central na integração energética do continente africano, com megaprojetos de estradas e caminhos-de-ferro de ligação regional.

Moçambique, por sua vez, surge como uma promessa no mercado global de gás. Com descobertas avaliadas em dezenas de trilhões de pés cúbicos, o País já começou a produzir e exportar a partir da plataforma Coral Sul FLNG, em Cabo Delgado, e aprovou recentemente o desenvolvimento do Coral Norte, que terá capacidade para produzir 3,55 milhões de toneladas de GNL por ano, o equivalente a 4,6 mil milhões de metros cúbicos anuais, a partir de 2028. A empresa estatal ENH, apesar de enfrentar desafios financeiros, mantém-se como peça central nesta ambição.

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