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O Presidente da República, Daniel Chapo, manifestou, esta tarde, em Argél, satisfação com os resultados da visita oficial realizada à Argélia de 03 a 06 de Setembro em curso, onde para além da cimeira bilateral entre os dois Estados, participou na Feira de Comércio Intra Africano (IATF) no quadro da implementação da Zona de Comércio Livre Continental Africana (ZCLCA), visitou monumentos históricos e manteve encontro com empresários argelinos e representantes de empresas públicas e privadas a quem apresentou diversas oportunidades de investimento em Moçambique nos sectores de hidrocarbonetos, logística e transportes, agricultura, indústria, entre outros.
Reginaldo Tchambule, na Argélia
Hoje, quarto e último dia da visita a Argélia, que teve como ponto mais alto a recepção oficial no Palácio Presidencial pelo seu homólogo, Abdelmadjid Tebboune, onde decorreram conversações oficiais teté-a-teté entre os dois Presidentes, enquanto equipas técnicas das duas delegações discutiam termos de alguns instrumentos jurídicos considerados estratégicos para o reforço da cooperação entre os dois países, cuja relação histórica remonta ao período das lutas de libertação.
Do encontro entre os dois chefes de Estado e das delegações de Moçambique e Argélia, que se prolongou por pouco mais de duas horas, resultou a assinatura de seis instrumentos jurídicos de cooperação, nomeadamente: o Memorando de Entendimento sobre o programa de intercâmbio cultural e artístico; o Protocolo de cooperação entre a Rádio Moçambique e a Rádio da Argélia; um Acordo no domínio da comunicação; um Acordo em ensino superior e investigação científica; um Acordo de cooperação na área de segurança e ordem pública; e ainda o Memorando de Entendimento sobre consultas políticas.
Apesar da relevância dos acordos firmados, no final das conversações os dois chefes de Estado optaram por não prestar declarações à imprensa. No entanto, no fim da sua visita que culminou na mesquita Grande Mesquita de Argel, Chapo fez um breve balanço já com os motores do seu avião a roncarem para poder chegar a Maputo a ponto de participar das celebrações do dia dos Acordos de Lusaka, este Domingo.
Entre as áreas destacadas por Daniel Chapo no quadro da sua diplomacia económica, sobressai o sector energético e dos hidrocarbonetos, dois importantes vectores económicas que moçambique pretende buscar experiência para dar asas ao seu sonho de se tornar um hub energético regional.
Como tal, já foram assinados memorandos entre a Empresa Nacional de Hidrocarbonetos (ENH) e a estatal argelina SONATRACH, bem como entre a Eletricidade de Moçambique (EDM) e a SONELGAZ, empresa pública de energia da Argélia. A intenção é avançar para projetos conjuntos que fortaleçam a capacidade de produção e distribuição de energia.
Outra área considerada estratégica, segundo Daniel Chapo é a indústria farmacêutica, visto que a Argélia consegue satisfazer 80% das suas necessidades internas de medicamentos, tornando-se um parceiro privilegiado para Moçambique, que recentemente organizou uma conferência internacional sobre produção local de fármacos.
Moçambique pretende exportar castanha, café e banana para Argélia

Além disso, sectores como agricultura, turismo, infraestruturas e industrialização foram identificados como prioritários para estimular o desenvolvimento económico e a criação de emprego, sobretudo para os jovens. Produtos moçambicanos como a castanha, café e banana foram apontados como de elevado potencial de exportação para o mercado argelino.
“Sabemos que o povo argelino gosta bastante da castanha, do café e da banana. Se conseguirmos produzir em quantidades industriais, um dos mercados será a Argélia”, afirmou Chapo, defendendo a diversificação da pauta de exportações.
Durante a visita, a delegação moçambicana teve a oportunidade de conhecer locais históricos e culturais da Argélia, como a cidade de Tipasa, classificada como Património Mundial da UNESCO, e o Museu da História da Libertação. A experiência foi considerada inspiradora para iniciativas de valorização do património histórico e cultural moçambicano, incluindo a Ilha de Moçambique, os corredores de comércio e as recentes áreas elevadas a património mundial, como a Reserva Especial de Maputo.
A visita incluiu ainda uma passagem pela Grande Mesquita de Argel, a maior de África e a terceira maior do mundo, considerada não apenas um espaço de oração, mas também um centro cultural e turístico de grande relevância.
Em jeito de balanço, Chapo sublinhou que a visita cumpriu plenamente os seus objetivos, consolidando a amizade entre dois países irmãos e projectando novas oportunidades de cooperação económica e cultural para os próximos anos.



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