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Os funcionários do Diário de Moçambique (DM) retomaram, na semana finda, as suas actividades laborais, após a suspensão da greve convocada para exigir o pagamento de salários em atraso, acumulados desde Outubro de 2025. A decisão resulta de um acordo alcançado entre os trabalhadores e o patronato, que incluiu o pagamento de um mês de salário e a promessa de regularização de mais um mês até à próxima sexta-feira.
Jossias Sixpense, Beira
A paralisação, protagonizada sobretudo por jornalistas, representou um momento crítico para aquele que é um dos mais antigos e emblemáticos órgãos de comunicação social do País, sediado na Cidade da Beira. A greve expôs dificuldades financeiras persistentes que afectam o funcionamento do jornal e colocam em causa a estabilidade laboral dos seus profissionais.
Segundo explicou Alberto Cassimo, secretário do comité local dos jornalistas do Diário de Moçambique, a suspensão da greve foi entendida como um gesto de boa-fé e de abertura ao diálogo sindical.
“Foi suspensa a greve mediante o acordo alcançado. Já foi pago um mês de salário e o segundo deverá ser pago na próxima sexta-feira. A nossa expectativa é que o diálogo sindical continue e que o que foi prometido seja efectivamente cumprido”, afirmou.
A situação vivida pelo jornal tem gerado manifestações de solidariedade no seio da classe jornalística. Falume Chabane, jornalista, sublinhou a importância histórica e simbólica do DM para o país.
“A greve dos jornalistas é um apelo à acção para que os responsáveis pela empresa e o Estado tomem medidas concretas. O Diário de Moçambique não pode morrer. É um jornal que pertence à história de Moçambique e é fundamental para a liberdade de expressão e para a democracia”, afirmou.
Refira-se que o processo de privatização do Diário de Moçambique, ocorrido entre o final da década de 1990 e o início dos anos 2000, transferiu a gestão do jornal para a Académica, do Grupo Sidat, detido pelo empresário Maomed Sidat.
Apesar da retoma das actividades, os trabalhadores mantêm-se atentos ao cumprimento integral do acordo alcançado, considerando que a regularização dos salários em atraso é essencial para garantir a normalização do funcionamento do jornal e a preservação de um património histórico da imprensa moçambicana.



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