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As autoridades moçambicanas apelaram, esta quarta-feira, à evacuação preventiva das populações que vivem nas zonas ribeirinhas do rio Incomati que atravessa os distritos da Moamba, Magude, Manhiça e Marracuene, face ao risco iminente de desabamento de uma barragem de terra localizada na África do Sul, na bacia hidrográfica partilhada entre os dois países.
O alerta surge na sequência de danos estruturais causados pela erosão na barragem de terra de Senteeko, construída sobre o rio Crocodilo, um dos afluentes do rio Incomati. A mesma está localizada na área de Barberton, distrito de Mbombela, na África do Sul, e acredita-se que um eventual colapso possa provocar um aumento do caudal entre 2.300 e 2.500 metros cúbicos por segundo, podendo originar inundações não só no país vizinho, como também em Moçambique.
A informação foi avançada pela Direção Nacional de Gestão de Recursos Hídricos (DNGRH), durante uma actualização da situação hidrológica nacional, no quadro do alerta vermelho nacional activo, na qual se revelou que o aviso foi emitido após as chuvas intensas registadas nos últimos oito dias no território sul-africano. A referida barragem armazena cerca de 1,8 milhões de metros cúbicos de água.
“Recebemos um comunicado da África do Sul a informar que existe uma barragem de terra com grande instabilidade estrutural e risco de colapso, devido à pressão da água e à erosão. Caso ocorra uma ruptura, os caudais poderão variar entre 2.300 e 2.500 metros cúbicos por segundo, com impacto directo nas zonas a jusante, incluindo Ressano Garcia”, afirmou o director nacional de Gestão de Recursos Hídricos, Agostinho Vilanculos.
Segundo o dirigente, a situação levou à activação imediata dos mecanismos de coordenação transfronteiriça, envolvendo a Comissão das Bacias do Incomati e Maputo, bem como as autoridades de gestão de águas da África do Sul.
Neste momento, técnicas da DNGRH e da ARA-Sul encontram-se no terreno a acompanhar, em tempo real, a evolução da situação, avaliando os possíveis impactos hidrológicos e reforçando os mecanismos de alerta às comunidades.
As autoridades moçambicanas, em colaboração com as sul-africanas, mobilizaram especialistas em segurança de barragens, que estão a implementar medidas de mitigação, incluindo a colocação de membranas de protecção, numa tentativa de conter a erosão e evitar o colapso da estrutura.
E porque um eventual colapso pode provocar inundações e constrangimentos na circulação rodoviária, incluindo na Estrada Nacional Número Um (EN1), as autoridades apelam à evacuação das zonas ribeirinhas nos distritos da Moamba, Magude e Manhiça, sobretudo em Xinavane e na Ilha Josina Machel.
“Uma barragem de terra, quando rompe, pode gerar uma onda de cheia que se propaga em cerca de 13 horas, razão pela qual estamos a reforçar o alerta às comunidades”, explicou Vilanculos, enfatizando que estas devem evitar atravessar rios e afastar-se das margens, seguindo rigorosamente as orientações das autoridades locais.
Refira-se que a DNGRH reiterou que todas as principais bacias hidrográficas do país permanecem em alerta, enquanto a barragem de Massingir continua a descarregar água de forma controlada, com redução gradual dos caudais, embora o risco de cheias ainda persista em algumas regiões.



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