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As inundações que se fazem sentir em vários pontos do País deixaram cerca de 150 mil clientes sem fornecimento de energia eléctrica e provocaram prejuízos avaliados em 313 milhões de meticais, segundo dados avançados pela Electricidade de Moçambique (EDM).
Edmilson Mate
De acordo com o director de Distribuição da EDM, Luís Amado, apesar das inundações registadas um pouco por todo o país, as infra-estruturas de produção e transporte de energia não sofreram danos significativos, permitindo a continuidade da produção eléctrica. No entanto, a rede de distribuição foi severamente afectada, sobretudo nas zonas mais baixas e inundadas.
Actualmente, a EDM contabiliza 212 postos de transformação fora de serviço, dos quais 10 foram totalmente destruídos pela fúria das águas ou por actos de vandalismo. Estão ainda 300 quilómetros de rede de média tensão e 287 quilómetros de baixa tensão submersos, impossibilitando a reposição imediata do fornecimento em várias localidades.
As zonas mais afectadas situam-se na província de Gaza, com destaque para a cidade de Chókwè, onde cerca de 96 mil clientes continuam sem energia, estendendo-se aos distritos de Massingir, Mabalane e Guijá. Registam-se igualmente interrupções no fornecimento em Xai-Xai, Chibuto, Magude, Manhiça (zonas baixas) e Xinavane. Na província de Maputo, áreas como Sábie, no distrito da Moamba, chegaram a ficar sem energia, mas o fornecimento já foi reposto na maioria dos pontos.
Apesar de os 150 mil clientes representarem uma pequena percentagem dos cerca de quatro milhões de clientes da EDM, Luís Amado sublinha que o impacto social é elevado. “Estamos a falar de aproximadamente 600 mil pessoas afectadas, muitas delas deslocadas e acolhidas em centros de reassentamento”, afirmou.
Além dos danos causados pelas cheias, a EDM denuncia o agravamento de casos de vandalização da infra-estrutura eléctrica, sobretudo em zonas onde o fornecimento foi interrompido. A empresa perde anualmente entre 120 e 125 milhões de meticais devido a estes actos e apela à vigilância das comunidades e das autoridades locais.
Quanto à reposição da energia, a EDM garante que, assim que o nível das águas baixar, a maioria das zonas afectadas poderá voltar a ter electricidade no prazo de uma semana, através de intervenções de emergência. Paralelamente, está prevista uma reabilitação estrutural, com vista a tornar a rede mais resistente a futuras cheias.
Apesar dos prejuízos, a EDM assegura que o programa Energia para Todos, que prevê 420 mil novas ligações até ao final do ano, mantém-se como uma meta prioritária, embora parte do orçamento esteja actualmente a ser canalizada para a resposta de emergência.



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