“Aqui nasce uma cidade” – Chapo na entrega talhões infra-estruturados em Matutuíne

DESTAQUE SOCIEDADE
Share this

“Organizar a terra é organizar o destino da Nação”. Foi com esta afirmação que o Presidente da República, Daniel Francisco Chapo, dirigiu-se à população do distrito de Matutuíne, esta quinta-feira, durante a cerimónia de entrega de 3.062 talhões infra-estruturados, no âmbito do Projecto Nacional de Terra Infra-estruturada, uma iniciativa do Ministério das Obras Públicas, Habitação e Recursos Hídricos.

Edmilson Mate, em Matutuine

Perante uma plateia composta por membros do governo, do partido Frelimo, autoridades comunitárias, parceiros de desenvolvimento e centenas de munícipes, o Chefe de Estado começou por endereçar uma palavra de solidariedade às vítimas das cheias e da passagem do Ciclone Gezani, que recentemente assolou o país.

“Nas últimas semanas, o nosso país foi duramente assolado pelas cheias e pela passagem do Ciclone Gezani, que provocaram perdas humanas, destruição de infra-estruturas. A cada vida perdida, a Nação inclina-se em respeito ao povo moçambicano”, disse Chapo, dirigindo condolências às famílias enlutadas e garantindo que “o Estado continuará presente, o governo moçambicano continuará presente a apoiar, a reconstruir”.

O Presidente aproveitou a ocasião para enquadrar o projecto de terra infra-estruturada numa visão mais ampla de desenvolvimento nacional, alicersada em construções mais resilientes e em locais seguros como a zona onde estão localizados os terrenos ora distribuídos.

“Se ontem conquistámos a independência política, hoje somos, como geração, chamados a consolidar a nossa Independência Económica. E essa independência começa, muitas vezes, pela forma como organizamos o território”, disse Chapo para depois enfatizar que “onde muitos vêem apenas parcelas de terra, nós vemos comunidades emergentes”

Num discurso com forte pendor programático, Daniel Chapo explicou o significado do projecto para o ordenamento do território e para a prevenção de riscos, num contexto de crescentes desafios climáticos.

“Durante décadas, as cidades africanas cresceram mais depressa do que o seu planeamento. Hoje escolhemos inverter essa lógica. Escolhemos planear antes, infra-estruturar antes e organizar antes, porque os países que prosperam são aqueles que têm a coragem de preparar o futuro antes que este se imponha”, afirmou.

O Presidente sublinhou que a iniciativa vai além da mera distribuição de terrenos, destacando, assim, o papel estruturante do projecto na criação de novas dinâmicas económicas e sociais.

“Hoje, não estamos apenas a entregar três mil e sessenta e dois talhões de terra infra-estruturada aqui no Povoado de Chicanimisse. Estamos a organizar o território. Estamos a proteger vidas actuais e futuras. Estamos a preparar comunidades mais seguras e a transformar a forma como o país vai crescer e está a crescer”, sublinhou.

A cerimónia ficou igualmente marcada por um momento de grande simbolismo e emoção: a entrega de títulos de Direito de Uso e Aproveitamento da Terra (DUAT) a antigos jogadores da Selecção Nacional de Futebol, os “Mambas”, que em 1996 se qualificaram para a Copa Africana das Nações.

“Estamos hoje, como Estado, a nos reconciliar com a história, uma vez que beneficiarão também destes talhões antigos jogadores da nossa Selecção Nacional de Futebol e membros da equipa técnica que, em 1996, se qualificaram para a Copa Africana de Nações”, disse Chapo.

O Presidente chamou ao palanque Manuel Bucuane, mais conhecido por Tico-Tico, o maior goleador de sempre da selecção nacional, bem como João Chissano, Tomás Inguane e Henriques Tembe, o popular “Riquito”, procedendo à entrega simbólica dos títulos de terra.

Promo������o
Share this

Facebook Comments

Tagged