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Rogério Zandamela, esclareceu esta segunda-feira, que a instituição não prevê retomar, para já, o financiamento directo das facturas de importação de combustíveis no país. A afirmação surge num momento de crescente ansiedade nos mercados internacionais devido à instabilidade no Médio Oriente, mas o regulador assegura que o sistema bancário comercial moçambicano mantém a robustez necessária para suportar estas operações sem a intervenção directa do banco central.
Durante o encontro com a imprensa, realizado após a reunião do Comité de Política Monetária (CPMO), o Governador sublinhou que a actual arquitectura financeira tem permitido o fluxo normal de abastecimento. Rogério Zandamela explicou que, embora o cenário global apresente desafios, a banca nacional tem demonstrado capacidade para assegurar as divisas necessárias, mantendo a postura de distanciamento que o banco central adoptou desde 2023, quando entendeu que os bancos comerciais já reuniam condições plenas para assumir esse papel de financiadores.
“Por enquanto, não vemos nenhuma necessidade para que essa seja a nossa postura. O desempenho da banca tem permitido garantir a continuidade do fornecimento de combustíveis ao País”, afirmou o dirigente.
O posicionamento do Banco de Moçambique ocorre num contexto de forte pressão sobre as rotas energéticas globais, exacerbado pelo bloqueio do Estreito de Ormuz pelo Irão. De acordo com dados avançados pelo Secretário de Estado do Tesouro e Orçamento, Amílcar Tivane, aproximadamente 80% das importações nacionais de combustíveis transitam por aquela região, o que expõe Moçambique a riscos logísticos significativos. Contudo, em termos de reservas físicas, o país dispunha, a 10 de Março, de cerca de 75 mil toneladas de combustíveis, volume que as autoridades consideram suficiente para cobrir as necessidades de consumo interno até aos primeiros dias de Maio.



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