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- Mais de 12 mil cartas entregues em apenas 10 dias
- Mais de 33.500 cartas disponíveis nas 11 delegações
- Sistema entra na fase final de integração estrutural
O Instituto Nacional dos Transportes Rodoviários (INATRO, IP) tem implementado medidas extraordinárias para reforçar, com carácter urgente e sustentável, a capacidade de produção, impressão e distribuição de cartas de condução em todo o território nacional. A intervenção surge na sequência de um acumulado superior a 35 mil pedidos pendentes registados em Janeiro de 2026 — uma situação a que o sistema não respondeu com a eficiência exigida, mas que está a ser corrigida com medidas concretas, resultados visíveis e controlo operacional reforçado. Hoje, os indicadores apontam para uma inversão clara dessa tendência.
Evidências
Centenas de utentes, previamente contactados, acorrem diariamente às instalações do Instituto Nacional dos Transportes Rodoviários (INATRO), na cidade de Maputo, para finalmente receberem as suas cartas de condução. Entre rostos cansados pela longa espera, documentos na mão e olhares atentos a cada chamada, há também sinais de alívio quando os nomes são anunciados e quando utentes avançam para o balcão, pouco a pouco, a longa espera começa a chegar ao fim.
É o cenário que se vive nas últimas semanas nas 11 delegações do Instituto Nacional dos Transportes Rodoviários, onde diariamente ocorre a entrega massiva de cartas de condução já impressas, como resultado das medidas extraordinárias em implementação, para escoar os mais de 35 mil pedidos que estavam pendentes. A meta diária fixada de entrega de 200 cartas por cada delegação.
Para melhor organização e celeridade no processo de entrega das cartas de condução impressas, as Delegações Provinciais do INATRO, IP. retomaram o processo de contacto directo dos titulares das cartas de condução já impressas para o respectivo levantamento, alocação de mais técnicos para o atendimento público na área de entrega de cartas de condução, ao mesmo tempo que estão em actualização listas das cartas prontas para o respectivo levantamento, entre outras iniciativas.
Segundo o administrador e porta-voz do INATRO, Cláudio Zunguze, mais de 33.500 cartas de condução biométricas encontram-se prontas para levantamento nas 11 delegações, estando em curso uma operação nacional de entrega massiva.
Só nos últimos 10 dias, entre 9 e 19 de Março, foram entregues mais de 12 mil cartas, o que representa uma aceleração significativa do ritmo de resposta e evidencia a capacidade da instituição em recuperar, em tempo útil, um passivo acumulado ao longo de vários meses.
“Mais do que uma resposta operacional, trata-se de um processo deliberado de reposição de confiança pública, assente em resultados mensuráveis e numa presença mais próxima do cidadão”, sublinha Zunguze.
Resolvido o principal bloqueio que prejudicou a interoperabilidade do sistema

O INATRO reconhece que o sistema de produção e emissão de cartas de condução enfrentou constrangimentos relevantes, agravados no segundo semestre de 2025.
A análise técnica foi clara: o principal bloqueio residiu na fraca interoperabilidade entre os sistemas das diferentes etapas do processo de captação, transmissão de dados e impressão – o que gerou atrasos e acumulação de pedidos.
Perante este cenário, a instituição optou por uma abordagem directa e estruturada, assente em três eixos: Eliminar o passivo acumulado com acções imediatas; estabelecer a normalidade no atendimento de novos pedidos dentro dos prazos legais; implementar uma solução estrutural que impeça a recorrência do problema
Medidas extraordinárias com impacto directo no terreno

Para responder com eficácia, foram adoptadas medidas concretas e mensuráveis como a extensão do horário de funcionamento, incluindo fins-de-semana; reforço da capacidade de impressão, com entrada de novos equipamentos; mobilização e reforço de recursos humanos na área de produção; optimização dos sistemas informáticos intervenientes no processo; e reorganização do atendimento ao público, com foco na fluidez e disciplina operacional.
Estas medidas permitiram acelerar significativamente a produção e criar as condições para a actual fase de entrega massiva que está a ocorrer em todas as delegações provinciais, com uma meta média de 200 cartas por dia por delegação, assegurando consistência nacional e capacidade de resposta contínua.
Para garantir eficiência no atendimento, foram adoptadas medidas operacionais específicas como o contacto directo com os utentes (telefone e SMS); preparação prévia de lotes diários de entrega; reforço das equipas de atendimento; organização dos espaços para evitar aglomerações; e actualização contínua das listas de cartas prontas.
Está igualmente em fase piloto uma plataforma digital de consulta que permitirá ao cidadão verificar, de forma autónoma, a disponibilidade da sua carta.
Desafios persistentes exigem acção conjunta
Apesar dos avanços, subsistem constrangimentos que condicionam a eficiência do processo de entrega, sobretudo contactos desactualizados fornecidos pelos utentes; mudanças de residência; e dificuldades de comunicação directa.

Neste contexto, o INATRO apela à colaboração dos cidadãos, incentivando todos os que aguardam pela sua carta há mais de três meses a dirigirem-se às respectivas delegações. A normalização plena do sistema depende também desta corresponsabilização.
Utentes satisfeitos com a melhoria dos serviços
O cenário, que durante meses foi marcado por frustração e incerteza, começa agora a ganhar novos contornos. Durante muito tempo, a obtenção da carta de condução transformou-se num verdadeiro teste de paciência para os cidadãos. A cada 90 dias, os utentes eram obrigados a renovar documentos provisórios conhecidos popularmente como “papelinhos” que permitiam apenas a circulação dentro do território nacional. Para quem dependia da carta como instrumento de trabalho, essa limitação representava um obstáculo intransponível
No terreno, o Evidências percebeu in-loco, na delegação da Cidade de Maputo, o impacto que já é visível: o ritmo de atendimento aumentou e mais de 200 cartas estão a ser entregues diariamente.
Entre os utentes que finalmente conseguiram ultrapassar essa fase está Alexandre Simão de 33 anos de idade, residente em Hulene e motorista de profissão, que aguardou cerca de dois anos pela sua carta de condução. Encontrado no local momentos após receber o documento, descreve o sentimento como sendo de alívio e satisfação.
“Dependo muito da carta para trabalhar porque eu viajo para fora do país, então não podia fazer praticamente nada com a carta provisória, nem viajar para fora do país”, contou.
Alexandre exerce actividades ligadas ao transporte de mercadorias, com deslocações frequentes para a África do Sul. Durante o período de espera, viu-se limitado pelos documentos provisórios, que não têm validade fora do pais.

Além das limitações transfronteiriças, a situação também implicava perdas financeiras. Cada viagem não realizada ou atrasada representava menos rendimento e maior instabilidade profissional. Agora, com a carta biométrica em mãos, Alexandre vê uma nova fase a iniciar-se.
“Esses documentos funcionam aqui, mas no estrangeiro não. Então, era sempre complicado. Para viajar, tinha que dar um jeito, e às vezes passava por situações difíceis. Graças a Deus já tenho a carta em mãos. Agora é trabalhar e ter cuidado para não perder para não passar pelo calvário novamente”, afirmou, evidenciando não só o alívio, mas também a consciência do valor do documento.
A realidade de Alexandre não é isolada. Para muitos profissionais do sector dos transportes, a carta de condução é um instrumento indispensável. É o caso de Pedro José, motorista de veículos pesados, que aguardou cerca de três anos pelo documento.
“Quando recebi a chamada para levantar a carta, não acreditei”
No seu caso, os impactos foram ainda mais profundos, uma vez que o seu trabalho também envolve viagens frequentes entre Moçambique e a África do Sul. Sem a carta biométrica, Pedro viu-se obrigado a recorrer a soluções alternativas para manter a actividade.
“Era muito complicado. Como viajo muito, tinha que levar outra pessoa com carta válida para conduzir o carro dentro do território sul-africano. Agora estou mais tranquilo. Quando recebi a chamada do INATRO a me informar para vir levantar a carta, não acreditei e hoje, quando cheguei aqui, não tive complicações. Segui a fila e tive o documento sem nenhum constrangimento”, explicou Pedro, recomendando a instituição a “melhorar o sistema”.
Dércio Rogério aguardou pela carta definitiva por cerca de um ano e hoje celebra o encerramento de uma longa espera marcada por muitos desafios e expectativa.
“Agora posso guardar na carteira e trabalhar com mais tranquilidade e sem stress. Gostei da forma como as coisas agora estão a acontecer. Apesar de sermos muitos que tínhamos cartas a receber hoje, o processo foi ordeiro e o tempo de espera foi reduzido. As coisas estão a melhorar”, afirmou.
Num contexto marcado por longas esperas, há também casos que fogem à regra. Mércia Machava, de 29 anos de idade, é um exemplo disso. Após tratar da carta no início deste ano, recebeu o documento em menos de três meses. Encontrada nas imediações do INATRO, Mércia não esconde o alívio, mas reconhece que a sua situação não é a mais comum.
“Penso que tive sorte, porque há pessoas que estão há dois, três anos. No meu caso foram apenas três meses, quase o tempo normal de espera. Tratei em Janeiro deste ano e espero que este seja o novo normal”, explicou.
Para Mário Tembe, portador de carta de condução profissional, o problema vai além do desconforto, trata-se de uma limitação directa ao acesso ao emprego. Após cerca de três anos de espera, Mário descreve as dificuldades enfrentadas com o uso da carta provisória.
“Primeiro, é difícil de manusear. Não cabe na carteira. E depois, a própria polícia, por vezes, complica”, explicou, lembrando que a curta validade dos documentos provisórios obrigava a deslocações constantes ao INATRO.



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