CIP defende que a escassez de divisas devia ser oportunidade para o governo reinventar-se

DESTAQUE ECONOMIA
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O Centro de Integridade Pública (CIP) alertou esta quinta-feira para o “impacto profundo” da escassez de divisas na economia moçambicana e no bem-estar da população, advertindo para o risco de agravamento da inflação e apelando ao Governo para transformar a crise numa oportunidade de reforço da produção interna.

Segundo um estudo preliminar apresentado pela organização, a falta de moeda estrangeira já se reflecte na limitação da capacidade de importação, nos atrasos nos pagamentos internacionais, na interrupção das cadeias produtivas e na perda de competitividade dos sectores económicos.

“Moçambique não vai alcançar a independência económica enquanto tiver problemas de divisas e problemas estruturais que impedem o funcionamento cabal da economia”, afirmou Edson Cortez, director do CIP.

Para Cortez, o momento poderia ser aproveitado para impulsionar a produção nacional e criar ligações sólidas na economia, mas experiências anteriores mostram que o país raramente transforma desafios em soluções estruturais. “Estas oportunidades já surgiram várias vezes e o país nunca se reinventou”, sublinhou.

“Poderíamos dizer que esta é uma oportunidade para o país reinventar-se e começar a produzir mais. Mas essas oportunidades já surgiram várias vezes e o país nunca reinventou-se, nunca criou ligações na economia, nunca fez com que a produção interna aumentasse e, neste momento, estamos  com estes constrangimentos”, sublinhou.

Cortez acrescentou ainda que, embora os atores económicos e o Banco de Moçambique alertem para o problema, os bancos comerciais mantêm silêncio, e que esta primeira parte do estudo se concentra nos problemas estruturais. Uma segunda parte, prevista para Setembro, vai identificar quem ganha com a escassez de divisas.

“Importamos mais do que produzimos. Se produzíssemos mais, não estaríamos a falar de divisas”, concluiu Cortez, lembrando que o CIP, ao longo dos seus 20 anos de existência, tem procurado contribuir com propostas para melhorar as políticas públicas, independentemente de serem ou não aceites pelo poder político.

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