Pacientes graves de Xai-Xai serão impedidos de ser transferidos para Maputo a partir desta terça-feira

DESTAQUE SAÚDE
Share this
  • APSUM estica a corda e vida estão em riscos

A Associação dos Profissionais de Saúde Unidos e Solidários de Moçambique (APSUMSM) – Delegação Gaza deu um passo de pressão drástico ao anunciar a suspensão imediata das transferências de pacientes em estado grave e de emergência para Maputo. Esta medida, que entra em vigor já esta terça-feira, 18 de Novembro, é o esticar da corda de uma greve de 30 dias. A paralisação é motivada por uma dívida que se arrasta desde o ano de 2022, colocando a vida dos pacientes mais vulneráveis no centro de um braço-de-ferro com a direcção do Hospital Provincial de Xai-Xai.

Luísa Muhambe

A Associação informou que, a partir da data estipulada, não haverá mais transferências de pacientes em estado grave e de emergência para Maputo antes que se paguem todas as dívidas.

“A Associação dos Profissionais de Saúde Unidos e Solidários de Moçambique (APSUSM) – Delegação de Gaza (…) vem esclarecer aos órgãos de comunicação social que irá iniciar uma greve de 30 dias, devido à dívida de pagamento de turnos, horas extraordinárias e ajudas de custos desde o ano de 2022, depois de vários anos de tentativa de negociação amigável com a direcção desta unidade sanitária (Hospital Provincial de Xai-Xai. Desta forma, a APSUSM -Gaza vem informar que a partir do dia 18 de Novembro não haverá mais transferências de pacientes em estado grave e de emergência para Maputo antes que se paguem todas as dívidas”, sublinhou.

O Hospital Provincial de Xai-Xai, enquanto unidade de referência provincial, funciona como o elo crucial para casos complexos que exigem tratamento de alta especialização ou infra-estruturas avançadas, maioritariamente disponíveis apenas na capital. Ao suspender estas transferências, os profissionais de saúde bloqueiam, na prática, o acesso à medicina terciária e avançada para toda a população de Gaza.

Essa interrupção ameaça de forma fatal a vida de pacientes com patologias que exigem intervenções de suporte avançado, como os casos de Acidentes Vasculares Cerebrais (AVCs) graves, enfartes, falência de órgãos ou emergências traumáticas complexas.

Em situações de Acidentes de Viação, por exemplo, o tempo de resposta rápido é vital, e o prolongamento da espera ou a impossibilidade de referência podem esgotar o período crítico imediato após lesão grave, resultando em morte ou sequelas permanentes. Os casos obstétricos de alto risco, que requerem intervenção especializada urgente, também se encontram altamente expostos a complicações catastróficas.

A disputa que levou a esta medida extrema reside no incumprimento, por parte da direcção hospitalar, das remunerações e compensações devidas desde 2022. A APSUSM, que actua na defesa dos direitos dos trabalhadores da saúde, alega ter tentado esgotar a via da negociação amigável depois de vários anos.

A dívida inclui o pagamento de turnos, horas extraordinárias e ajudas de custos. O não pagamento continuado destas verbas essenciais levou ao desgaste e à desmoralização da classe, que agora recorre a este acto extremo para forçar uma solução.

Embora o direito à greve seja constitucional, a interrupção de um serviço de referência de emergência levanta sérias preocupações éticas e humanitárias. Contudo, a APSUSM argumenta que a violação da sua dignidade e das suas condições de trabalho, que se arrasta há anos, é a base para o cumprimento ético da sua missão.

Promo������o
Share this

Facebook Comments